15/12/2025
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FILANTROPIA OU NEGÓCIO ? CASO CRÍTICO 🇦🇴🇧🇷
👉🏻VISÃO EMPREENDEDORA.
Nos últimos anos, a chegada de influenciadores brasileiros a comunidades carenciadas em Angola tem gerado um intenso debate sobre a interseção entre filantropia e visibilidade. De um lado, esses influenciadores desempenham um papel importante ao levar recursos, conscientização e apoio a populações que enfrentam dificuldades. Isso, sem dúvida, traz benefícios concretos para essas comunidades, algo que muitos Angolanos não fazem na sua própria terra ou em outro país de forma abrangente, com um investimento filantrópico real e significativo.
Por outro lado, é inegável que há um componente de interesse próprio, já que o aumento de visualizações e o engajamento nas redes sociais também geram ganhos financeiros para esses influenciadores. Essa dualidade levanta questões éticas e nos faz refletir sobre o real impacto dessas ações.
Esse cenário pode ser analisado à luz da retórica de Aristóteles, que nos ensina sobre o ethos, o pathos e o logos. O pathos, que envolve a conexão emocional, é fundamental para gerar empatia e confiança. Ao tocar nas emoções do público, os influenciadores conseguem um reconhecimento significativo e uma ligação genuína com as comunidades. O ethos, ou seja, a credibilidade do influenciador, é construída pela autenticidade e pelo compromisso verdadeiro. Já o logos, que se refere à lógica e à argumentação, garante que as ações sejam fundamentadas e eficazes.
Além dessa avaliação, as organizações sem fins lucrativos costumam ser altamente rentáveis, não só financeiramente, mas também em impacto social e engajamento. Elas têm mais facilidade em obter financiamento de várias fontes, como governos e fundações, e também se beneficiam de incentivos fiscais. Além disso, o envolvimento em causas sociais aumenta a visibilidade e atrai mais apoio.
O sector filantrópico, por sua própria natureza, também pode ser uma ferramenta estratégica de posicionamento. Grandes nomes e marcas, ao se engajarem em causas sociais, muitas vezes conquistam uma imagem positiva e fortalecem sua influência global. Portanto, não se trata apenas de altruísmo, mas também de uma simbiose entre benefício social e benefício próprio.
Isso não significa, porém, que a ajuda seja desprovida de valor. Pelo contrário, ela é, muitas vezes, essencial para quem precisa. No entanto, é fundamental que se mantenha o equilíbrio, garantindo que as ações sejam sustentáveis e realmente benéficas a longo prazo. As comunidades Angolanas ganham e os influenciadores também ganham, isso é uma verdade.
É compreensível o posicionamento de artistas angolanos que defendem que os recursos deveriam ser priorizados para o próprio país, mas infelizmente esse posicionamento não tem fundamento, porque a filantropia não tem limites e existe prioridades dependendo da visão da organização ou da pessoa filantrópica, e também dos seus objetivos. O sociólogo Michael Burawoy e a psicóloga Andréia Garcia dos Santos destacam a importância de compreender as dinâmicas sociais e culturais, garantindo que as iniciativas sejam autênticas e respeitosas. Assim, é fundamental que a filantropia seja planejada com sensibilidade, promovendo o bem-estar coletivo e evitando desigualdades.
É bem normal que o Brasil tenha pessoas pobres, assim como os Estados Unidos, mas esses países têm muitas soluções e recursos por serem países desenvolvidos, em comparação com Angola, que ainda tem muitas necessidades a serem superadas. Juntos, com trabalho e força, é possível avançar.
Dessa forma, o debate se torna uma oportunidade de reflexão sobre como equilibrar o apoio externo e o desenvolvimento local, sempre com um olhar sensível e ético. O objetivo é construir pontes que sejam benéficas para todos, respeitando a dignidade e as necessidades das comunidades envolvidas.
Quando vamos falar de pessoas com dificuldades, é preciso ter cuidado: na filantropia, o importante é a ação humanitária, e ninguém questiona os benefícios. Resolver os problemas é o mais importante. Mas não devemos descartar que as empresas filantrópicas também geram lucros.
Vamos abrir portas para quem realmente precisa de ajuda, pois a filantropia não tem limites, não tem pátria e não tem casa. 🏠
Por: Jorge Germano