04/01/2026
Dia desses, um conhecido me encontrou em um café, desses superfaturados que eu particularmente amo. Você dá um rim por um café, mas pensa num café bom? Então, desses mesmo!
Pediu para se sentar, eu cordialmente disse que sim e começamos um bate-papo (mentira, começou uma enxurrada de reclamações).
Tudo era culpa dos outros. O trabalho ruim, a esposa que não compreende seu modo de pensar, a sogra que não ajuda com os filhos — por isso precisa pagar os tubos em uma creche — e não podia faltar a pobre da mãe, que, mesmo podendo, não ajuda o pobre marmanjo de quase 40 anos.
Entendi rapidamente que não era uma conversa; emprestei meus ouvidos, afinal gosto de escutar. Depois de ouvi-lo por quase uma hora, só lhe fiz uma pergunta: mas de quem é o problema?
Ele me olhou como quem me fuzilasse com os olhos e respondeu como um cachorro raivoso: é meu, ora!
Eu disse: então resolva.
Depois de 30 segundos, se despediu pedindo desculpas por ter tomado meu tempo e dizendo que adorou me encontrar (mentira).
As pessoas não querem resolver seus problemas, querem que os outros resolvam. Não querem assumir responsabilidade nenhuma pela própria vida e não entendem que, de alguma forma, consciente ou inconsciente, participam da vida que levam.
Querem reclamar, culpar os pais, o cachorro, o vizinho, mas não querem resolver.
Está todo mundo tentando, de alguma forma, estar na vida. Esses tempos são de muito cansaço, muita ira e pouca conversa. Então, tem muita gente passando pelo mesmo que você, mas está tentando.
Não sou conselheira, mas, se pudesse dar um conselho que melhorasse a vida ao menos um pouco, seria: seja responsável pela sua vida, seus pensamentos e suas ações.
Você vai perceber sua vida começando a fluir quando a solução para seus problemas também estiver nas suas mãos.