Jornal de História

Jornal de História Publicação com histórias e curiosidades sobre a Cidade de Alenquer e demais municípios do Oeste do Pará.

Cachorrão NegroNas terras de várzea e às margens dos rios tranquilos, vive a curicaca, ave serena cuja presença abundant...
24/03/2026

Cachorrão Negro

Nas terras de várzea e às margens dos rios tranquilos, vive a curicaca, ave serena cuja presença abundante deu nome a uma antiga localidade do município de Alenquer. Ali, onde o acesso se fazia tanto pela água quanto pela terra, a vida seguia simples — especialmente nos tempos em que a luz elétrica ainda não havia chegado às casas.

À noite, sob o céu estrelado, as famílias se reuniam nas varandas. Entre risos e supense contavam histórias de assombração, visagens e mistérios que atravessavam gerações.

Era nesse cenário que o medo e a curiosidade caminhavam lado a lado.

Certa noite, no meio de uma dessas conversas, um grito cortou o ar.
Um pedido de socorro ecoou pela escuridão.

Os moradores se entreolharam. Seria uma briga? Um assalto? Ou algum acidente? Sem respostas, um grupo de amigos decidiu seguir o som e oferecer ajuda.

Adentraram a mata.

Mas, ao chegarem a uma encruzilhada, o grito cessou abruptamente.

O silêncio agora era mais assustador que o clamor.

Foi então que, no meio da escuridão, surgiram dois pontos vermelhos — pequenos, intensos, como brasas vivas. Aos poucos, foram se aproximando.

O medo paralisou o grupo. Nenhum deles conseguia compreender o que estavam vendo.

De repente, das sombras da mata, revelou-se a criatura.
Um enorme cachorro negro.

Seus olhos brilhavam em vermelho, e seus dentes afiados reluziam sob a pouca luz da noite. A presença era pesada, sobrenatural — como se carregasse consigo uma maldição antiga.

Tomados pelo pavor, os amigos fugiram sem olhar para trás.

No dia seguinte, o acontecimento espalhou-se pela vila como o vento entre as árvores.

Foi então que uma moradora antiga, conhecedora dos segredos da região, revelou a verdade:

A criatura não era apenas um animal.

Era um ser encantado.

Dizia-se que, em vida, fora um homem que cometeu um grave erro — tão grande que lhe custou a própria humanidade.

Como castigo, foi condenado a vagar pelas noites de lua cheia, transformado naquele terrível cão de olhos de fogo.

Desde então, o lugar nunca mais foi o mesmo.

Ao cair da noite, os moradores de Curicaca passaram a sair apenas em grupo, temendo encontrar, nas sombras da mata, o temido Cachorrão Negro — guardião de um passado sombrio e misterioso.

Texto: Wildson Queiroz

Santo Antônio do Pacoval Quilombo Pacoval, encravado no município de Alenquer, é conhecido por sua cultura singular — pe...
19/03/2026

Santo Antônio do Pacoval

Quilombo Pacoval, encravado no município de Alenquer, é conhecido por sua cultura singular — pela dança do Marambiré e pelo lendário contraveneno capaz de curar até picadas de cobras venenosas. Mas, por trás dessa riqueza, há uma história tecida com dor, coragem e superação.

Há muitos anos, em um tempo marcado pela escravidão, homens e mulheres de pele negra eram submetidos à crueldade de senhores impiedosos. Sofriam castigos severos, tinham suas crenças proibidas e suas tradições silenciadas.

Ainda assim, a chama da liberdade resistia acesa.

Foi então que um grupo — formado por homens, mulheres e crianças — decidiu romper as correntes do cativeiro. Fugiram, guiados não apenas pelo desespero, mas pela esperança de uma vida livre.

Levavam consigo pouco mais que a fé. Entre seus pertences, havia uma pequena imagem de Santo Antônio, esculpida em madeira simples, quase rústica — mas carregada de significado.

A fuga não foi fácil. Pelas trilhas da mata, eram perseguidos por soldados e homens das fazendas. O perigo espreitava a cada passo. Para sobreviver, precisavam de astúcia.

Em meio à mata fechada, colocaram a imagem do santo em um ponto estratégico, de onde pudesse ser vista mesmo à distância. E ali, em silêncio, o santo vigiava por eles. Quando a imagem, por algum movimento ou barulho estranho, virava de costas, era sinal de alerta: os perseguidores estavam por perto.

Diante do aviso, o grupo não hesitava. Mudava de direção, avançava mais fundo pela floresta, sempre atento e próximo ao rio — seu guia e seu refúgio.

Os dias se arrastaram, duros e incertos, até que, enfim, encontraram um lugar seguro. Era uma terra farta, coberta por bananeiras pacovi, como se a própria natureza lhes oferecesse abrigo.

Ali decidiram ficar. E, em homenagem àquele alimento que lhes sustentou e à terra que os acolheu, deram ao lugar o nome de Pacoval.

Ali, longe das correntes, reconstruíram suas vidas. Retomaram suas práticas culturais, fortaleceram seus laços e ergueram uma capela em devoção a Santo Antônio — que passou a ser reconhecido como o protetor e padroeiro do povo do Pacoval.

E assim, entre a mata, o rio e a fé, nasceu uma comunidade que transformou dor em resistência e memória em identidade.

Texto: Wildson Queiroz

Vista panorâmica da frente de Alenquer em meados da década de 1970.A foto foi tirada de dentro de um navio que estava at...
12/03/2026

Vista panorâmica da frente de Alenquer em meados da década de 1970.
A foto foi tirada de dentro de um navio que estava atracado no trapiche.
Ao fundo, é possível identificar as torres da igreja matriz e bem à frente, o antigo casarão.

FUTEBOL ALENQUERENSE HISTÓRIAS E MEMÓRIASFonte: Geferson Silva O ano era 1986, o mês era Março Quando o Internacional de...
09/03/2026

FUTEBOL ALENQUERENSE
HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

Fonte: Geferson Silva

O ano era 1986, o mês era Março
Quando o Internacional de Alenquer em um jogo Amistoso e Festivo pelo aniversário do Clube enfrentou a Tuna Lusa da capital do estado.

A equipe contava com jogadores talentosos como:

Tonga - Palinha( in memória)- Kaby Martins - Vila- Canário- Puruí- Michoca - Cabeça - Mazote - Niní e Pulico.

O placar ficou 0×0
O elenco contava com 2 grandes laterais esquerdo, Kaby e Canário.

O técnico Guimarães para contar com os Craques na partida, escalou Canário de Lateral Direito e o Jagador que vivia o auge de sua carreira, protagonizou um dos melhores lances do jogo. Com uma arrancada incrível pela direita, lançou para Mazote que por um detalhe não marcou o gol da vitória do Internacional.

Esse mês completará 40 anos desse grande feito. Mais até hoje esse time inspira uma geração de jogadores e torcedores.

A Passageira FantasmaNão era nem dez da noite quando tudo aconteceu. A cidade ainda respirava acordada, com suas luzes a...
04/03/2026

A Passageira Fantasma

Não era nem dez da noite quando tudo aconteceu. A cidade ainda respirava acordada, com suas luzes amarelas piscando nas esquinas e o cheiro de churrasco escapando das barracas. Eu estava sozinho, dirigindo sem pressa, quando parei para comprar uma marmita.

Estacionei, desci, paguei e voltei para o carro pensando apenas em chegar em casa.

Abri a porta e senti o mundo parar por um segundo. No banco do carona, onde minutos antes só havia silêncio, estava sentada uma mulher vestida de branco. Não gritei — talvez por susto demais até para isso. Fiquei imóvel. O coração disparou como se quisesse fugir antes de mim.

Como ela entrou ali? Como apareceu?

Meu primeiro impulso foi correr, abandonar carro, marmita, tudo. Só que, ao tentar sair, senti sua mão tocar meu braço. Não era um toque pesado, mas era firme. E a voz que veio em seguida não tinha ameaça, tinha pedido:

— Não tenha medo. Não vou lhe fazer mal. Quero apenas passear pela cidade.

Passear? Aquilo não fazia sentido. Eu nem a conhecia. Não sabia seu nome, sua história, nem de onde tinha surgido. Mas ela falava com uma serenidade estranha, como quem já não tem pressa de nada.

Mandou que eu ficasse calmo, ligasse o carro. Disse que, no caminho, me contaria sua história.

Chamava-se Ester. Gostava muito da cidade. Já havia “andado por muitos lugares”, mas sempre se sentia sozinha. Falava com uma nostalgia difícil de explicar — como se carregasse saudade de algo que já não lhe pertencesse. Contou-me de sonhos que não pôde realizar. Falava deles com doçura, não com revolta. Apenas uma aceitação silenciosa.

Perguntei por quê.

Ela apenas respondeu:

— Logo você vai saber.

Seguimos pelas ruas quase desertas. A cidade parecia diferente naquela noite. As praças estavam mais quietas, os postes mais pálidos, como se tudo soubesse que aquela não era uma carona comum.

Quando perguntei onde deveria deixá-la, pediu que fosse no canto do Estádio de Alenquer. Disse que dali seguiria a pé. Achei estranho, mas obedeci. Parei o carro, ela abriu a porta com delicadeza e, antes de sair, agradeceu:

— Agora fico por aqui. Boa noite. Obrigada pelo passeio. Vou andando até minha morada. Não precisava me deixar na porta.

Morada.

A palavra ficou ecoando.

Desceu e começou a caminhar. Não em direção às casas, mas para o lado do Cemitério Santa Maria. A cada passo, parecia mais leve. Não olhou para trás.

Voltei para casa com a marmita já fria e a certeza de que, naquela noite, não dei apenas uma carona.

Talvez eu tenha oferecido companhia a alguém que só queria, mais uma vez, admirar sua própria cidade.

Alenquer se despediu hoje do "Seu Minildes", o carroceiro brincalhão que apelidava seus bois com o nomes dos políticos. ...
02/03/2026

Alenquer se despediu hoje do "Seu Minildes", o carroceiro brincalhão que apelidava seus bois com o nomes dos políticos.

Descanse em paz!

Dia de chuva ☔️
19/02/2026

Dia de chuva ☔️

Informação:
15/02/2026

Informação:

Alan Ribeiro Mesquita, ex-aluno da Escola Beatriz do Valle, Alenquer, foi aprovado no curso de superior em Libras, da Uf...
11/02/2026

Alan Ribeiro Mesquita, ex-aluno da Escola Beatriz do Valle, Alenquer, foi aprovado no curso de superior em Libras, da Ufopa, Campus de Santarém.

Parabéns!

Encontrei um grupo de Pescadores curtindo o domingo próximo ao Rio Surubiú.Só achei estranho que eles não tinham linha n...
08/02/2026

Encontrei um grupo de Pescadores curtindo o domingo próximo ao Rio Surubiú.

Só achei estranho que eles não tinham linha nem azol... 🤔

Cinco ícones na mesma imagem:1 Coreto2 Igreja matriz3 Cruz das Santas Missões4 Prédio da Paróquia5 Antiga torre da Telep...
11/01/2026

Cinco ícones na mesma imagem:

1 Coreto
2 Igreja matriz
3 Cruz das Santas Missões
4 Prédio da Paróquia
5 Antiga torre da Telepará

🙌🏼🙌🏼🙌🏼
01/01/2026

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Endereço

Alenquer, PA
68200-000

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