19/12/2025
Já de volta desta que foi a minha terceira viagem a Alter do Chão/PA, a trabalho, junto aos indígenas.
Alter sempre me surpreende com sabores, texturas, com suas novas possibilidades de enxergar o mundo.
E desta vez teve o choque de conhecer a deslumbrante Sumaúma, um verdadeiro monumento no meio da floresta. Essa árvore de raízes gigantes de fato fala com a gente, exala autoridade e nos afeta como que com um impulso de reverência, conexão e respeito. Alter não só me conecta com a Natureza, mas me lembra que eu sou parte indissociável dela.
Cheguei em Alter com o ombro machucado - quem sabe por vezes tentar carregar o mundo nas costas. Saí de lá com a leveza de ter reencontrado amigos queridos, enriquecida pelas histórias que ouvi. E, lá, sempre surge pra mim uma necessidade de humildade, por cada vez mais compreender que não temos todas as respostas, que precisamos exercitar a escuta, a curiosidade genuína e o respeito, quando pisamos no mundo no outro.
Nossa vida é esta teia interconectada de relações.
Nos relacionarmos pode ser nosso maior desafio, mas também é o que nos corregula, nos alimenta, nos amplia para além do nosso mundinho tão limitado. Sempre, sempre que vou ao Alter, lembro do que um professor budista chamado Chogyam Trungpa falava sobre trabalhar como um grão de areia: "Se você é um grão de areia, o resto do universo, todo o espaço, todos os lugares são seus, porque você não obstrui nada, não sobrecarrega nada, não possui nada. Há uma tremenda abertura. Você é o imperador do universo porque você é um grão de areia".
Ser imperador do universo porque você é um grão de areia. Repetir sempre para que eu possa incorporar esse ensinamento.