29/12/2022
O poeta, um artesão de palavras que forja o verbo com martelo e bigorna. Forjar a coisicidade da mesma. Como disse Lacan, elevar a língua “à dignidade do indizível”, do objeto perdido, do pulsional em seu efeito sublimatório que se sustenta sobre nada.
Se aproximarmos o fazer psicanalítico e o poético, poderemos dizer que em ambos existe uma capacidade criadora capaz de instaurar novas realidades. A arte, diz o pintor suíço expressionista Paul Klee, “não reproduz o visível, ela faz visível”, assim como o poema não reproduz o dizível, ele cria o dizível. A psicanálise, no seu fazer, cria para o analisando a possibilidade de realidades diferentes, de novas invenções de si mesmo.
Na escuta do texto do seu analisando, o psicanalista cria palavras (e silêncios) com poder de gerar outras palavras, palavras-coisa, que tocam o Real, quebram sentidos e produzem efeitos simbólicos outros, que a repetição do mesmo.