01/08/2023
Colocar, na mesma oração, amamentação + volta ao trabalho é treta.
Admiro muito a coragem de terem trazido esse tema para a este ano.
Do lado de cá, surfo na onda do privilégio por ter trabalhado em Home Office desde… sempre! Voltei ao trabalho quando minha filha tinha apenas 2 meses de vida. Autônoma, sem licença-maternidade (só fui receber os 4 meses retroativos de uma vez no quarto mês), pandemia, a Mamaluga não existia. Era pegar ou largar! Fui feliz trabalhando, vivi integralmente o puerpério. Minha filha saiu do meu radar de atenção plena muito cedo. E está tudo bem, sem remorsos, afinal, era a nossa realidade. Eu ainda tinha o Home Office para aproveitar! Tem mãe que nem isso tem… Perdi as contas de quantas vezes trabalhei ou amamentando ou com uma bomba de leite pendurada no seio.
Sem falar no privilégio da minha profissão me permitir trabalhar de dentro de casa ou simplesmente com um celular na mão (publicitária). Tudo certo até o momento! Privilégio, privilégio, privilégio…
Mas quando a gente para e fura a bolha. Ai ai ai… Nos últimos três anos eu tive contato com mais de 400 famílias e a maioria delas estavam se preparando para voltar ao trabalho. Se eu pudesse pegar cada uma e abraçar pelo telefone, eu abraçaria.
Tem tanta coisa pra falar. Tem um sistema tão esmagador com as mães no mercado de trabalho.
Apenas 30 minutos de pausa para extração de leite são mesmo suficientes para uma mãe que acabou de deixar a livre-demanda dentro de casa?
Apenas 4 meses de licença-maternidade são mesmo suficientes para amamentação exclusiva se a OMS recomenda 6?
São muitas reflexões que quero deixar.
É justo uma boa bomba de leite, que realmente tenha um desempenho bom o suficiente para uma mãe extrair leite na volta ao trabalho, custe mais de um salário mínimo????
Eu não posso querer que todo mundo trabalhe Home Office nem que o mercado pare. Não posso querer mudar tudo com as minhas próprias mãos. Não posso querer que ninguém calce meus sapatos ou viva uma história de amamentação e volta ao trabalho como a minha.
(continua nos comentários)