11/12/2025
A premissa da igualdade de direitos entre homens e mulheres ainda esbarra numa incongruência estrutural: a cultura segue depositando sobre a mulher uma sobrecarga invisível, naturalizada e silenciosa.
Ela é convocada a ser âncora afetiva, gestora emocional da casa, cuidadora de todos e, ao mesmo tempo, corresponsável pelo custeio financeiro da família.
Enquanto isso, a sociedade segue operando como se essa dupla exigência fosse “natural”, como se o afeto, o tempo e o corpo feminino fossem recursos infinitos.
Chamamos de igualdade o que, na prática, continua sendo uma divisão desigual de trabalho, energia e sacrifício.
O paradoxo é claro: exige-se da mulher uma performance total, mas oferece-se a ela apenas o reconhecimento parcial. Não há equidade possível enquanto a responsabilidade doméstica e emocional permanecer invisível e enquanto a sobrecarga feminina for tratada como destino, e não como construção cultural que precisa ser revista.