04/10/2025
Um caso que mudou minha forma de decidir diante de uma via aérea potencialmente avançada.
Paciente adolescente com síndrome de Down, agendado para transplante de córnea. Apresentava macroglossia, abertura bucal limitada e pouca colaboração, o que restringiu a avaliação completa dos parâmetros preditivos, mas já sugeria dificuldade tanto para laringoscopia, intubação traqueal e para ventilação.
No planejamento inicial, foi decidido por uma laringoscopia diagnóstica mantendo ventilação espontânea. No entanto, algo inesperado ocorreu: a paciente evoluiu com bradicardia súbita e tão intensa e levou a parada cardíaca. Felizmente, um único ciclo de RCP foi suficiente para retorno da circulação espontânea.
Diante do cenário delicado e do risco envolvido, surgiu a pergunta essencial: como confirmar a presença de uma via aérea potencialmente avançada com maior segurança?
A resposta está em uma ferramenta ainda subutilizada, mas extremamente promissora: o POCUS da via aérea!!.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise publicada por Vendish et al., em 2025, na revista Anaesthesia, o uso do ultrassom point-of-care das vias aéreas superiores apresenta alta especificidade tanto para confirmar nossa suspeita de dificuldade tanto na laringoscopia quanto para intubação traqueal.
Este caso reforça algo essencial: em cenários de incerteza e risco, o ultrassom não é apenas um complemento, mas pode ser um divisor de águas no manejo da via aérea difícil.
Você já incorporou o POCUS da via aérea na sua prática anestésica? Em quais cenários ele transformou sua tomada de decisão?