28/06/2018
A moda da vez é a exclusão do glúten, por afirmações de que ele inflama. Não é bem assim! Os estudos que apontam benefícios na exclusão do glúten foram feitos com celíacos e/ou pessoas com sensibilidade ao glúten não-celíaca (SGNC)! Não dá para extrapolar esses dados para quem não possui nenhuma condição clínica associada ao glúten.
Bucci e colaboradores (2013) realizaram biópsia duodenal em celíacos, em pessoas com SGNC e em pessoas sem condição associada ao glúten. As amostras foram incubadas com gliadina, um componente do glúten. Apenas as amostras de CELÍACOS mostraram sinais de inflamação.
E na contra-mão, um ensaio clínico randomizado de Vitaglione e colaboradores (2015) mostrou que a ingestão de grãos integrais (incluindo trigo) pode REDUZIR a inflamação, por conta dos polifenóis que estão associados às fibras dos grãos.
Não existe estudo epidemiológico e ensaio clínico randomizado que demonstre benefício na exclusão do glúten (Gaesser & Angadi, 2015). Há algumas evidências de que inclusive a exclusão do glúten pode gerar disbiose e ganho de peso.
Isso porque os alimentos sem glúten geralmente substituem o trigo por amido de milho, maltodextrina, polvilho ou farinha de arroz. Isso resulta num alimento pobre em fibras e em proteínas e rico em carboidratos. Basta ler o rótulo e comparar! Mas para quem duvida, Wu e colaboradores (2015) fizeram essa análise em mais de 3 mil alimentos e chegaram a essa mesma conclusão.
Se você emagreceu retirando o glúten, já parou pra pensar se é porque passou a fazer escolhas melhores? O problema não é o glúten, é a quantidade de calorias e carboidratos que as pessoas ingerem. Não há necessidade de excluir glúten, apenas melhorar a qualidade e a variedade da alimentação.