Psicólogo Iberê Lins

Psicólogo Iberê Lins Página voltada para esclarecimentos sobre teorias psicológicas e conceitos de psicologia para todos que queiram entender sobre os processos da psiquê.

18/09/2021

Intuição é quando sua mente processa informações sem que você perceba!!!

Com o aparecimento da "geração canguru" (filhos que retardam ou recusam abandonar a casa dos pais) na atualidade, a Sínd...
06/05/2021

Com o aparecimento da "geração canguru" (filhos que retardam ou recusam abandonar a casa dos pais) na atualidade, a Síndrome do Ninho Vazio perdeu um pouco a força nos lares. De qualquer maneira, a síndrome requer um processo parental adaptativo. Não deixa de ser uma situação de luto, onde a ausência deve ser ressignif**ada pelos pais.

A síndrome do ninho vazio é um processo natural da vida. Os filhos crescem, deixam a família e vão viver suas vidas. Se tornam independentes e decidem morar sozinhos, seja porque vão casar, cursar uma universidade ou buscar mais autonomia.

A solidão física ou mental que atinge os pais ou tutores quando seus filhos/as deixam seus lares é conhecida como a síndrome do ninho vazio. Independentemente de ser homem ou mulher, ter ou não emprego, ou algum outro interesse fora da família, essa etapa evolutiva faz com que os pais se sintam profundamente abatidos, gerando problemas físicos e emocionais. Tristeza, vazio, sensação de inutilidade, incapacidade de concentração, fadiga, preocupação excessiva, e até sentimento de culpa quando a relação entre pais e filhos é tensa, são os sintomas mais frequentes.
Esses sintomas variam de pessoa para pessoa, dependendo de sua personalidade, do estado emocional e até do grau de relacionamento que mantinha com aquele que deixou o lar. É necessário um lento processo de adaptação e mudança diante dessa nova realidade, pois toda a rotina de convivência será modif**ada, o que poderá causar crises entre os membros familiares envolvidos. É uma fase difícil até mesmo para alguns pais que se sentem satisfeitos por terem cumprido seus papéis para a independência dos filhos.

Desapegar e liberar
É importante ressaltar que toda relação deve ser cultivada, portanto o fato de estarem distantes não signif**a a perda dos nossos filhos, e sim uma nova forma de convivência com eles. A prevenção é a melhor forma de combatermos a síndrome, evitando o controle excessivo, dando-lhes aos poucos maior autonomia, e mesmo estando presentes, deixando-os tomar suas próprias decisões. Se a sua vida não foi estruturada apenas em torno dos seus filhos, é fácil seguir adiante.

É um processo natural que os filhos saiam de casa. É mais uma etapa de crescimento e evolução, que a princípio pode parecer estranho, causando vazio e solidão. Devemos aceitar como um recomeço, não só para eles que sairão em busca de novos desafios e experiências, mas também para os pais, com um novo conceito de vida e de novas perspectivas. Temos que renovar nossos planos de vida, tanto individuais quanto matrimoniais, enxergar nessa situação que a principio parece negativa, a oportunidade de dedicarmos mais tempo e energia a nós mesmos, em busca de novas experiências e satisfação pessoal.

Nada vai substituir a saída dos filhos, mas é preciso entender que a fase da vida mudou, e se a pessoa não buscar outras fontes de prazer ela pode desenvolver muitas doenças. Não é para ignorar os sintomas, mas sim aceitar a dor, aceitar a saída dos filhos, se adaptar a essa mudança e dar novo sentido para a vida.

08/04/2021

O psicanalista e psiquiatra inglês, Donald W. Winnicott nasceu em 07 de abril de 1896, em Plymouth, na Grã-Bretanha e estaria hoje completando 120 anos. Suas ideias tem nos guiados em nossos estudos e na compreensão de nossa clínica.
Segundo a psicanalista Elsa Dias, Winnicott deixou-nos um legado, sim, que é uma riqueza inestimável: uma teoria unitária da natureza humana baseada não na noção de forças psíquicas em conflito dentro de um sistema fechado, concepção emprestada por Freud à física, mas em aspectos fundamentais e universais do ser humano, em especial na tendência ao amadurecimento de todo ser humano, isto é, à progressiva integração como personalidade unif**ada. Salientou, além disso, a importância crucial do ambiente para a plena realização desse processo. Nessa teoria, Winnicott descreve as diferentes tarefas e conquistas, em cada um dos estágios da vida do amadurecimento saudável, o que lhe permitiu ainda definir a doença como bloqueio desse processo. A patologia winnicottiana, assim fundamentada, serve não apenas de orientação na clínica psicanalítica, possibilitando em especial o tratamento dos casos chamados difíceis, que não podiam ser abrangidos pela psicanálise tradicional, como permite repensar procedimentos terapêuticos em vários outros campos da saúde – a pediatria, a psiquiatria infantil, a fonoaudiologia, a enfermagem, a terapia ocupacional – assim como orientar o que compete à assistência social e a educação em termos de cuidados que favorecem o amadurecimento. Traz ainda, uma preciosa contribuição a todos os que se envolvem em políticas de prevenção.

05/04/2021

Mecanismo de defesa é uma denominação dada por Freud para as manifestações do Ego diante das exigências das outras instâncias psíquicas (Id e Superego), mas a psicanálise freudiana não é a única teoria a se utilizar desse conceito. Outras vertentes da psicologia também se utilizam dessa denominação.

Os mecanismos de defesa são determinados pela forma como se dá a organização do ego: quando bem organizado, tende a ter reações mais conscientes e racionais. Todavia, as diversas situações vivenciadas podem desencadear sentimentos inconscientes, provocando reações menos racionais e objetivas e ativando então os diferentes mecanismos de defesa, com a finalidade de proteger o Ego de um possível desprazer psíquico, anunciado por esses sentimentos de ansiedade, medo, culpa, entre outros. Resumindo, os mecanismos de defesa são ações psicológicas que buscam reduzir as manifestações iminentemente perigosas ao Ego.

Todos os mecanismos de defesa exigem certo investimento de energia e podem ser satisfatórios ou não em cessar a ansiedade, o que permite que sejam divididos em dois grupos: Mecanismos de defesa bem-sucedidos e aqueles inef**azes. Os bem-sucedidos são aqueles que conseguem diminuir a ansiedade diante de algo que é perigoso. Os inef**azes são aqueles que não conseguem diminuir a ansiedade e acabam por constituir um ciclo de repetições. Nesse último grupo, encontram-se, por exemplo, as neuroses e outras defesas patogênicas.
Quais são os mecanismos de defesa?

Existem pelo menos quinze tipos de mecanismos de defesa conhecidos e explicados pelas teorias da psicologia. Entre eles, podemos citar: compensação, expiação, fantasia, formação reativa, identif**ação, isolamento, negação, projeção e regressão.

Como funciona cada mecanismo de defesa?

Cada mecanismo de defesa tem uma forma específ**a de funcionamento, vamos conhecer alguns deles brevemente:

Compensação

Esse mecanismo de defesa tem por característica a tentativa do indivíduo de equilibrar suas qualidades e deficiências, por exemplo, uma pessoa que não tem boas notas e se consola por ser bonita.

Deslocamento

O mecanismo de deslocamento está sempre ligado a uma troca, no sentido de que a representação muda de lugar, e é representada por outra. Esse mecanismo também compreende situações em que o todo é tomado pela parte. Por exemplo: alguém que teve um problema com um advogado e passa, então, a rejeitar todos esses profissionais, ou ainda, num sonho, quando uma pessoa aparece, mas, na verdade está representando outra pessoa.

Expiação

É o mecanismo psíquico de cobrança. O sujeito se vê cobrado a pagar pelos seus erros no exato momento em que os comete, com esperança na crença de que o erro será imediatamente ou magicamente anulado.

Fantasia

Nesse mecanismo de defesa, o individuo cria uma situação em sua mente que é capaz de eliminar o desprazer iminente, mas que, na realidade, é impossível de se concretizar. É uma espécie de teatro mental onde o indivíduo protagoniza uma história diferente daquela que vive na realidade, onde seus desejos não podem ser satisfeitos. Nessa realidade criada, o desejo é satisfeito e a ansiedade diminuída. Os exemplos de fantasia são: os sonhos diurnos, ou fantasias conscientes, as fantasias inconscientes, que são decorrentes de algum recalque e as chamadas fantasias originárias.

Formação Reativa

É um mecanismo caracterizado pela aderência a um pensamento contrário àquele que foi, de alguma forma, recalcado. Na formação reativa, o pensamento recalcado se mantém como conteúdo inconsciente. As formações reativas têm a peculiaridade de se tornar uma alteração na estrutura da personalidade, colocando o indivíduo em alerta, como se o perigo estivesse sempre presente e prestes a destruí-lo. Um exemplo, uma pessoa com comportamentos homofóbicos, que na verdade, sente-se atraído por pessoas do mesmo s**o.

Identif**ação

É o mecanismo baseado na assimilação de características de outros, que se transformam em modelos para o individuo. Esse mecanismo é a base da constituição da personalidade humana. Como exemplo podemos citar o momento em que as crianças assimilam características parentais, para posteriormente poderem se diferenciar. Esse momento é importante e tem valor cognitivo à medida que permite a construção de uma base onde a diferenciação pode ou não ocorrer.

Isolamento

É o mecanismo em que um pensamento ou comportamento é isolado dos demais, de forma que f**a desconectado de outros pensamentos. É uma defesa bastante comum em casos de neurose obsessiva. Os exemplos desse mecanismo são diversos, como rituais, fórmulas e outras ideias que buscam a cisão temporal com os demais pensamentos, na tentativa de defesa contra a pulsão de se relacionar com outro.

Negação

É a defesa que se baseia em negar a dor, ou outras sensações de desprazer. É considerado um dos mecanismos de defesa menos ef**azes. Podemos citar como exemplo o comportamento de crianças de “mentir”, negando ações que realizaram e que gerariam castigos.

Projeção

Resumidamente, podemos dizer que é o deslocamento de um impulso interno para o exterior, ou do indivíduo para outro. Os conteúdos projetados são sempre desconhecidos da pessoa que projeta, justamente porque tiveram de ser expulsos, para evitar o desprazer de tomar contato com esses conteúdos. Um exemplo é uma mulher que se sente atraída por outra mulher, mas projeta esse sentimento no marido, gerando a desconfiança de que será traída, ou seja, de que a atração é sentida pelo marido. Além desse, outros exemplos de projeção podem estar na causa de preconceitos e violência.

Regressão

É o processo de retorno a uma fase anterior do desenvolvimento, onde as satisfações eram mais imediatas, ou o desprazer era menor. Um exemplo é o comportamento de crianças que, na dificuldade em seus relacionamentos com outras crianças, retornam, por exemplo, a fase oral e retomam o uso de chupetas, ou ainda, comem excessivamente.

31/03/2021

A ansiedade é uma reação normal diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. É considerada normal a ansiedade que se manifesta nas horas que antecedem uma entrevista de emprego, a publicação dos aprovados num concurso, o nascimento de um filho, uma viagem a um país exótico, uma cirurgia delicada, ou um revés econômico. Nesses casos, a ansiedade funciona como um sinal que prepara a pessoa para enfrentar o desafio e, mesmo que ele não seja superado, favorece sua adaptação às novas condições de vida.

O transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classif**ação de doenças mentais (DSM V), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura por seis meses no mínimo e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

É importante registrar também que, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos geradores do transtorno, causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

O transtorno da ansiedade generalizada pode afetar pessoas de todas as idades, desde o nascimento até a velhice. Em geral, as mulheres são um pouco mais vulneráveis do que os homens.

Sintomas

O principal sintoma do transtorno de ansiedade generalizada é a presença quase permanente de preocupação ou tensão, mesmo quando há poucos motivos ou quando não existe um motivo algum para isso. As preocupações parecem passar de um problema para outro, como questões familiares, amorosas, relacionadas ao trabalho, à saúde ou de várias outras origens.

Mesmo quando as pessoas com esse transtorno têm consciência de que suas preocupações ou medos são mais fortes do que o necessário, elas ainda têm dificuldade para controlar essas reações.
Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Além dos já citados (inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular) existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, aperto no peito, dores musculares.
Diagnóstico

O diagnóstico do TAG leva em conta a história de vida do paciente, a avaliação clínica criteriosa e, quando necessário, a realização de alguns exames complementares.

Como os sintomas podem ser comuns a várias condições clinicas diferentes que exigem tratamento específico, é fundamental estabelecer o diagnóstico diferencial com TOC, síndrome do pânico ou fobia social, por exemplo.

Tratamento

O tratamento do TAG inclui o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, sob orientação médica, e a psicoterapia . O tratamento farmacológico geralmente precisa ser mantido por seis a doze meses depois do desaparecimento dos sintomas e deve ser descontinuado em doses decrescentes.

Fatores de risco
Fatores que podem aumentar o risco do transtorno de ansiedade generalizada incluem:

Gênero

Mais do que o dobro do número de casos de transtorno de ansiedade generalizada ocorre em mulheres. Acredita-se que uma combinação de fatores, como mudanças hormonais e maior exposição ao estresse, possam agravar esse quadro.

Trauma na infância

As crianças que sofreram abuso ou algum tipo de trauma, ou que até mesmo testemunharam eventos traumáticos, estão em maior risco de desenvolver transtorno de ansiedade generalizada em algum momento da vida.

Doenças concomitantes

Ter uma condição crônica de saúde ou doença grave, como o câncer, pode levar à constante preocupação com o futuro, ao tratamento e questões financeiras. Estresse do dia a dia pode desencadear no transtorno também.

Personalidade

As pessoas com alguns tipos de personalidade são mais propensas a transtornos de ansiedade do que outras. Além disso, alguns transtornos de personalidade, como o Borderline, também podem estar ligados ao TAG.

Genética

O transtorno de ansiedade generalizada também pode estar no sangue. Mais de uma pessoa da mesma família pode apresentar esse distúrbio.

Abuso de substâncias

Uso excessivo de dr**as ou álcool pode piorar e até levar ao transtorno de ansiedade generalizada. A cafeína e a nicotina, presente no cigarro, também podem aumentar a ansiedade e conduzir o indivíduo à doença.

Os seguintes critérios devem ser atendidos para o diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada:

Ansiedade e preocupação excessivas sobre diversos eventos ou atividades na maioria dos dias da semana, por pelo menos seis meses
Dificuldade em controlar os seus sentimentos de preocupação
Ansiedade ou preocupação que possa causar sofrimento signif**ativo ou interfere com na rotina
Ansiedade que não está relacionada a uma outra condição de saúde mental, tais como ataques de pânico, abuso de substância ou transtorno de estresse pós-traumático (PTSD)
Pelo menos três dos seguintes sintomas em adultos e uma das seguintes opções em crianças: inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular ou problemas de sono.
O transtorno de ansiedade generalizada geralmente ocorre junto com outros problemas de saúde mental também, que podem precisar de um diagnóstico e tratamento mais específicos. Alguns distúrbios que geralmente ocorrem com transtorno de ansiedade generalizada incluem:

Fobias
Síndrome do pânico
Depressão
Abuso de substâncias
Transtorno de estresse pós-traumático.

Se o médico ou médica suspeitar que a ansiedade possa ser causada por outro motivo que não seja por TAG, ele ou ela poderá pedir exames de sangue, exames de urina ou outros te**es para procurar sinais de um problema físico.

Referências

DSM-V, American Psychiatric Association - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas

27/03/2021

A palavra “Gestalt” (cujo plural é “Gestalten”) é um termo intraduzível do idioma alemão para o português. O Dicionário Eletrônico Michaelis apresenta como possibilidades as palavras figura, forma, feição, aparência, porte; estatura, conformação; às quais ainda se pode acrescentar estrutura e configuração.
Aproximadamente a partir de 1870 alguns pesquisadores alemães começaram a estudar os fenômenos perceptuais humanos. A estes estudos convencionou-se denominar de Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Boa Forma, a qual se contrapõe ao atomismo reinante na época. Seus expoentes mais conhecidos foram Kurt Koffka, Wolfgang Köhler e Max Werteimer, que receberam também a contribuição de Kurt Lewin.Criaram as Leis da Gestalt, relativas à percepção humana. Para estes autores, os princípios que regem a percepção humana são: proximidade, similaridade, direção, disposição objetiva, destino comum e pregnância. Para a Psicologia da Gestalt o todo é diferente da soma de suas partes. Há uma condição inata de necessidade humana de organização e de integridade da experiência perceptual. O conceito da Psicologia da Gestalt de figura e fundo permite ao ser percipiente organizar suas percepções numa unidade dinâmica a mais vigorosa possível. A Psicologia da Gestalt é uma das teorias que influenciaram o surgimento da Gestalt-terapia.
Fritz Perls e sua esposa Laura Perls são os expoentes maiores da Gestalt-terapia. Ele médico e ela psicóloga, ambos alemães, interessaram-se em princípio pela psicanálise, a qual exerceram por muitos anos. Muito criativos e críticos, foram desenvolvendo uma visão própria da psicanálise e de psicoterapia, o que acabou por afastá-los dos círculos tradicionais da Sociedade de Psicanálise. Por causa da perseguição nazista aos judeus, imigraram em 1936 para Johanesburgo, na África do Sul, onde fundaram um Instituto de Psicanálise. Em 1946 imigraram para os Estados Unidos, tendo se fixado em New York. Embora as raízes da Gestalt-terapia já estivessem presentes no primeiro livro de Frederick (Fritz) S. Perls, “Ego, Fome e Agressão: Uma revisão da teoria e do método de Freud”, de 1942, o nascimento da abordagem gestáltica se dá em 1951, com o lançamento do livro “Gestalt Therapy – Excitement and Growth in Human Personality”, (no Brasil, “Gestalt-terapia”) escrito por Fritz Perls, Ralph Hefferline e Paul Goodman. Este livro é fruto das ideias que Fritz e Laura trouxeram da África do Sul, período de grande abertura teórica do casal.

20/03/2021

Já ouvimos falar diversas vezes sobre a empatia, sua importância nos relacionamentos sociais, seus poderosos efeitos na comunicação com o outro, na necessidade de incorporá-la nas nossas vidas como uma coisa indispensável. Contudo, pouco ouvimos falar sobre o peso que esta ocupa em uma relação psicoterapêutica, e sobre como sem a empatia o barco da terapia f**a à deriva. Longe do seu lugar no mundo, se desvia contra o prognóstico.

A empatia do psicólogo para com seus pacientes é tão necessária e vital para o seu bom funcionamento como é para nós o ar que respirarmos. É um bem do qual não se pode prescindir.

Na terapia, como na vida, as pessoas também estão perdidas

Claro que, mesmo estando em terapia, o paciente se sente muitas vezes perdido. Sente que a sua vida anda sem um rumo definido. Sem uma luz bem poderosa e visível sob a qual possa guiar os seus passos. Sua viagem começa a ser cheia de tentativas entre a escuridão do caminho e os pequenos lampejos de luz que vão aparecendo nas suas valetas.
O psicólogo não pode fazer mais do que acompanhá-lo nesse caminho. Esse caminho que entre as circunstâncias e a sua vontade escolheu para aprender as lições de vida que a construirão como pessoa. Muitas vezes costumamos pensar que o trabalho de um psicólogo é remover a pessoa desse caminho incerto no qual se encontra: facilitar a motivação para que se afaste dos momentos em que justamente precisa viver em benefício do seu próprio crescimento.

Caminhar pela vida de forma incerta é natural e humano. Não deveríamos nos assustar com isso. A vida é como uma corrente de água que muda de direção, mas sempre vai para a frente. Às vezes se transforma num frágil riacho, mas outras vezes, logo depois de uma boa tempestade, recupera a força dos tempos passados.

Inclusive, o caminho que um rio percorre é incerto. O seu impulso e confiança cega na terra que inunda são o motor que o levam a continuar por esse caminho vacilante. Tão mutante como nossas vidas.

Na psicoterapia acontece algo parecido. A pessoa se sentirá perdida muitas vezes. Mas é muito diferente se sentir perdido estando acompanhado, do que sentir-se assim sem a sustentação e apoio de alguém. Apenas a presença do psicoterapeuta não fará o paciente se sentir acompanhado. O paciente se sente acompanhado na medida em que o terapeuta vai lhe retribuindo cada um dos seus fios que este lhe passa. Ter uma atitude empática e respeitar o ritmo do paciente é crucial neste processo.

Alguns anos atrás ouvi uma metáfora belíssima sobre o processo de acompanhamento na terapia. Quem a contou foi um psicólogo especialista em luto que aprecio muito e admiro profundamente. Ele dizia que o paciente, ou a pessoa que nos traz a sua dor, vai nos lançando uma série de fios. Sim, como os fios de um novelo de lã. Os lança no seu próprio ritmo. Às vezes demoram para lançá-los, e outras o fazem de repente.
O terapeuta recolhe esses fios que o paciente lhe lança, mas longe de deixá-los de lado, devolve cada um deles com um feito por si mesmo. Pouco a pouco os fios vão se cruzando e o tear vai sendo formado. Esse tear personalizado será o que servirá de sustentação, e sobre ele, em futuras ocasiões, o paciente poderá se apoiar. O tear que ambos criaram é uma metáfora de como é o relacionamento terapêutico.

Terapeuta e paciente navegam em um mesmo barco

A relação terapêutica não pode ser entendida sem empatia. A empatia é essa sustentação, é esse maravilhoso tear sobre o qual o processo terapêutico avança. Cada gesto, cada emoção, cada pensamento, cada necessidade é ouvida, é entendida e é devolvida de uma forma mais clara, mais nítida e mais ajustada à pessoa que está diante de nós.

O terapeuta não navega em um barco diferente. Está no mesmo barco que o seu paciente. E navegam juntos. Ele o acompanha nessa travessia incerta e cheia de vida.

barco-no-mar

Se eu não devolvo cada um dos fios que o paciente me manda, não poderei construir um relacionamento de confiança e segurança com ele. Não estaremos em sintonia e o paciente, longe de me enxergar como alguém próximo, acabará me vendo como uma figura distante e nebulosa na qual não poderá confiar.

Mas para devolver… é preciso ouvir. É preciso ouvir cada movimento do nosso paciente. As pessoas falam múltiplas e diferentes linguagens. Falamos com cada parte dos nossos corpos sem a necessidade de dizer uma única palavra com a boca. É preciso ouvir cada uma destas linguagens.

“O que signif**a ajudar?

A ajuda é uma arte. Como toda arte, requer uma destreza que pode ser aprendida e exercitada. Também requer empatia com a pessoa que vem em busca de ajuda. Isto é, requer compreender aquilo que lhe corresponde e, ao mesmo tempo, a transcende e a orienta para um contexto mais global.”
-Bert Hellinger-

É preciso dominar esta sabedoria que, em muitas situações, não nos ensinaram nem na profissão nem nos livros. É uma linguagem muito mais sutil e intuitiva. Precisamos entender que o canal da vida também passa por estes lugares, e por isso precisamos permanecer neles junto a nossos pacientes. Somente desta forma seremos capazes de ouvi-los e compreendê-los.

Compreender de forma empática é fundamental na terapia

É nessa compreensão empática que vai se construindo o relacionamento terapêutico. Como disse Mariano Yela no prólogo de um livro de Carl Rogers e Miriam Kinget:

“O psicoterapeuta não sanciona, não censura, não julga o paciente nem age por ele, não lhe mostra caminhos nem lhe fecha caminhos; vive com ele os seus conflitos e problemas, se esforçando para compreender o sentido pessoal que tem para o outro. O paciente não encontra nada que o afaste de si ou o incite a se mascarar”.

O processo de terapia, portanto, é único e pessoal. Não existem pacotes padronizados de respostas nem de técnicas universais. Cada pessoa é única em si mesma e precisamos nos adequar sempre a ela. Precisamos acompanhá-la nesta travessia que a vida implica, com toda a sua diversidade de momentos.

14/03/2021

Antes de começar a discutir qualquer questão a respeito da compulsão sexual, é preciso primeiro esclarecer que existe uma enorme diferença entre ser compulsivo e gostar muito de s**o. Quem alerta é a psicóloga dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, Liliana Seger.

De acordo com ela, o fato da pessoa ter uma vida sexual intensa, de maneira alguma é um sintoma da compulsão sexual. "Ter muita vontade de tr***ar não caracteriza um transtorno. A diferença é que o compulsivo não consegue resistir aos pensamentos e desejos, que precisam ser saciados no mesmo momento, não importando com quem", explica.

De verdade, a compulsão sexual, definida por muitos como ninfomania, é um transtorno psiquiátrico do impulso em que o indivíduo tem pensamentos e atos obsessivos envolvendo o s**o.
sse transtorno está intimamente relacionado à ansiedade e, não raro, a outros transtornos obsessivos compulsivos. "Quem sofre desse problema tem dificuldade de pensar e se concentrar em coisas que não estejam relacionadas ao s**o. Além disso, outra característica do compulsivo é agir por impulso, sem premeditar", afirma.

O grande problema de lidar com essa doença, conforme explica a especialista, é o fato de que o s**o envolve prazer. Nesse sentido, a compulsão não incomoda e, a princípio, não parece fazer mal. Por isso é bastante comum que o compulsivo sexual conviva com esse transtorno por muitos anos, antes de perceber que se trata de um problema sério. "Essas pessoas geralmente só buscam tratamento quando já estão com a vida social totalmente abalada, convivendo com problemas na família, no casamento e até no trabalho", diz Seger.

E como o próprio compulsivo tem dificuldade de perceber que sofre de um transtorno do impulso, geralmente os primeiros que notam os sintomas são os familiares, amigos e colegas de trabalho. "A pessoa começa a apresentar modif**ações relevantes no comportamento: vai constantemente ao banheiro para se masturbar, deixa de conviver com outros indivíduos nas horas livres, e por aí vai", afirma.

Quem sofre de compulsão sexual tem dificuldade em pensar ou fazer outras coisas que não sejam relacionadas ao s**o, agindo por impulso. Conheça os principais sinais da compulsão sexual:

1 – Prioridade
O s**o torna-se prioridade na vida do compulsivo sexual. Com isso, deixa de fazer outras atividades, como estudar e passear com a família, em busca de relação sexual ou masturbação.

2 – Múltiplos parceiros
Dificilmente um compulsivo sexual consegue ter somente um parceiro(a). E, na ânsia de satisfazer a compulsão, pode não se preocupar em usar pr********vo, o que faz com que o compulsivo fique mais vulnerável ao contágio por doenças sexualmente transmissíveis, como hepatite, sífilis e AIDS.

3 – Internet
O compulsivo sexual gasta muito tempo em busca de conteúdo pornográfico na internet. Assim como parceiros(as) em salas de bate-papo.

4 – Trabalho
A pessoa não consegue controlar os impulsos e tem o desempenho profissional prejudicado. Também é comum que os compulsivos se***is saiam no meio do expediente em busca de s**o ou se masturbem no ambiente de trabalho.

5 – Mudança de humor
Quando não conseguem s**o, podem sentir-se irritados, ansiosos, inquietos ou mal-humorados.

Seger revela ainda que a compulsão sexual, em 95% das vezes, se manifesta em homens e, geralmente, a partir dos 30 anos. Para piorar, a própria sociedade acaba endossando esse comportamento, quando considera o homem que se dedica tanto ao s**o como viril e machão. Já em relação às mulheres, esse tipo de atitude é muito menos aceita.

Para os pacientes que sofrem de compulsão sexual recomenda-se psicoterapia baseada na busca pelo controle do comportamento da impulsividade sexual. Em associação ao processo terapêutico, geralmente também são administrados antidepressivos, que colaboram para inibir o desejo. "O indivíduo percebe que é dependente e que não está mais no controle das suas vontades e desejos. O importante é que ele entenda em quais situações f**a mais ansioso e, a partir daí, possa aprender a se controlar", esclarece.

05/03/2021

Por considerar que corpo (soma) e psíquico trabalham juntos na saúde emocional, a Psicanálise (Winnicott) considera também que não há possibilidade de construção se não houver, ao mesmo tempo, possibilidade de aceitar, reconhecer também um certo grau de destruição. Os instintos da vida, em seu anseio por apoderar-se de objetos, na busca pelo que é necessário ao processo de amadurecimento, trabalham a partir de uma agressividade natural, desde o nascimento. Quando há saúde, o maior motor da infância é o alcance da integração entre o que chega à criança desde os instintos, e a possibilidade de transformar tais forças em símbolos, ao que Winnicott chamou de "capacidade de elaboração das funções do corpo". Se a força dos instintos não puder encontrar um ambiente capaz de fornecer condições de tornar o que é força, símbolo, elaboração psíquica, o próprio brincar da criança f**a prejudicado. Uma criança pode não conseguir brincar, pode ter que parar a brincadeira por não conseguir dar conta dos estímulos que lhe chegam desde seus instintos, a exigir uma elaboração psíquica. Está na raiz da construção a possibilidade de vivenciar uma destruição que, todavia, é sem ódio. Nem toda criança alcança esse importante estágio de seu amadurecimento emocional: para construir-destruir, é necessário que à criança tenha sido oferecida a possibilidade de confiar. Quando o ambiente não é confiável, uma criança não pode criar, construir-destruir: não há outro que possa ser por ela vivenciado, emocionalmente, como um lugar capaz de guardar o que ela tem de bom e não-bom dentro de si. Não há outro, não há ambiente que, para a criança, seja capaz de sobreviver ao que lhe chega desde dentro. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Artes, Educação).

Ilustração: Danila Art

"A brincadeira, baseada como é na aceitação de símbolos, contém possibilidades infinitas. Habilita a criança a experimentar seja o que for que se encontre em sua íntima realidade psíquica pessoal, que é a base do crescente sentido de identidade. Tanto haverá agressão quanto amor. Na criança individual em evolução de amadurecimento, surge outra alternativa à destruição muito importante. É a construção. Tentei descrever algo de maneira complexa como, em condições favoráveis de ambiente, um impulso construtivo relaciona-se com a crescente aceitação pessoal de responsabilidade pelo aspecto destrutivo da natureza infantil. É um dos mais importantes sintomas da saúde, numa criança, quando surge e se mantem a atividade lúdica construtiva. Trata-se de algo que não pode ser implantado, como implantada não pode ser, por exemplo, a confiança. Aparece, com o decorrer do tempo, como resultado da totalidade das experiencias concretas da criança no ambiente fornecido pelos pais ou pelos que atuam como pais." (Winnicott, A criança e seu mundo, p. 267 - ano de edição: 1965)

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