16/02/2026
Compartilhando com vocês mais um pouco do que acontece aqui no consultório.
Esse é o Noah, uma criança com síndrome de Down, em acompanhamento desde a primeira infância, com quadro inicial de:
– hipotonia global
– respiração oral constante
– ausência de vedamento labial
– língua anteriorizada
– disfagia leve
– atraso no desenvolvimento de fala e linguagem
– APLV e recorrentes afecções respiratórias
Em crianças com T21, a hipotonia e a alteração do padrão respiratório impactam diretamente o sistema estomatognático. Quando há boca aberta persistente e projeção lingual, observamos prejuízo no desenvolvimento da mastigação, organização da deglutição e, consequentemente, na fala.
A intervenção foi estruturada com foco funcional:
✔ trabalho estomatognático para organização de mastigação
✔ treino de rotação mastigatória para sólidos
✔ estímulo de vedamento labial
✔ fortalecimento de orbicular dos lábios, elevadores e musculatura supra-hióidea
✔ eletroestimulação com objetivo mastigatório e deglutório
✔ fotobiomodulação como recurso adjuvante para modulação inflamatória, suporte imunológico e melhor resposta muscular
✔ estímulo estruturado de linguagem
Atualmente, ele apresenta selamento labial mais consistente, evolução na mastigação com rotação efetiva, melhor organização de deglutição e início de produção verbal, considerando que iniciou fala funcional aos 4 anos, após reorganização de base motora e respiratória.
Esse caso reforça um ponto importante, de que não é possível trabalhar fala sem organizar função. Respiração, mastigação e tônus adequado são pilares para que a linguagem se desenvolva com mais eficiência.
A reabilitação em T21 exige visão integrada, constância e condução baseada em função, não apenas em estímulo isolado de fala.
Acompanhar o desenvolvimento do Noah e observar sua evolução funcional é uma grande satisfação para mim.
Dra. Andrea Moraes Correa
Fonoaudiologia de Precisão
Mentora de Profissionais da Saúde
CRFa 7922-7