08/03/2026
No Dia Internacional da Mulher, é necessário ampliar o debate para além de reconhecimento simbólico e considerar os determinantes sociais que atravessam o sofrimento psíquico feminino.
Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Ipea evidenciam que, apesar de avanços nas últimas décadas, mulheres seguem recebendo salários menores que homens em posições equivalentes e ocupando menos cargos de liderança. Paralelamente, dedicam até 11 horas semanais a mais ao trabalho doméstico e a cuidados não remunerados.
A Organização Mundial da Saúde reconhece emprego e renda como determinantes sociais da saúde. Isso significa que condições de trabalho, estabilidade financeira e acesso a recursos influenciam diretamente a incidência, a evolução e o prognóstico de transtornos mentais.
O trabalho organiza identidade, pertencimento e propósito, mas, quando atravessado por desigualdade, precarização ou sobrecarga, pode tornar-se um fator de risco psicossocial. A jornada dupla, ou tripla, reduz o tempo de descanso e autocuidado, eleva níveis de estresse crônico e aumenta a vulnerabilidade a quadros de ansiedade, depressão e exaustão emocional.
Desigualdades estruturais não são apenas questões econômicas, são fatores clínicos relevantes. Cuidar da saúde mental das mulheres exige reconhecer contexto, sobrecarga e vulnerabilidades específicas.
Se houver sofrimento psíquico persistente, a avaliação especializada é fundamental.