28/11/2016
Uma boa dieta pode prevenir a demência?
Intervenções dietéticas para prevenir demência ou declínio cognitivo são geralmente seguras, prontamente disponíveis, e podem ser mais fáceis de serem implementadas do que intervenções como o exercício. Entretanto, as evidências que baseiam essas intervenções variam. A dieta Mediterrânea é talvez a melhor estudada, sendo rica em grãos, vegetais, frutas, batatas, nozes, sementes, legumes, peixes, azeite de oliva e pouca carne vermelha, aves, laticínios e álcool. A dieta de abordagem para impedir hipertensão (DASH) é semelhante, mas mais rica em laticínios desnatados e com menor quantidade de peixes. A dieta Mediterrênea–DASH de intervenção para atraso da neurodegeneração (MIND) incorpora elementos dessas duas dietas mas coloca mais ênfase nas frutas vermelhas, nozes e feijões.
Uma meta-análise de estudos de coorte prospectiva mostrou que as pessoas que aderem a uma dieta Mediterrânea têm menores taxas de doença de Alzheimer e Parkinson.[1] De forma semelhante, estudos de base comunitária com pessoas idosas que seguiram a dieta MIND mostraram menor declínio global na memória episódica, semântica e de trabalho e na velocidade de perceptual e organização perceptual com 4,7 anos de seguimento.[2] Além disso, esses participantes tiveram menor probabilidade de desenvolver doença de Alzheimer com seguimento de 4,5 anos.[3]
Dados de alguns ensaios clínicos randomizados apoiam o uso dessas dietas para prevenir declínio cognitivo e demência. No estudo PREDIMED, participantes com 55-80 anos de idade com alto risco para doença cardiovascular foram aleatoriamente inscritos para uma de três dietas: uma dieta Mediterrânea com suplemento de azeite extra virgem, uma dieta Mediterrânea com suplemento de nozes diversas ou uma dieta regular com redução de gordura. Houve redução no desfecho composto de infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico e morte por causas cardiovasculares – o desfecho primário – com as dietas Mediterrâneas suplementadas.[4] Uma análise secundária demonstrou pontuações maiores no Mini Exame do Estado Mental e o teste de desenho do relógio com 6,5 anos.[5] Em um estudo de curto prazo, os participantes randomizados para a dieta DASH tiveram maior velocidade psicomotora com quatro meses de seguimento.[6]
A dieta também pode ser efetiva quando faz parte de uma intervenção de vários componentes. No estudo Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disability (FINGER),[7] 1260 participantes com fatores de risco cardiovascular para demência e performance cognitiva na média ou um pouco inferior do que o esperado para a idade, foram aleatoriamente inscritos para uma intervenção de multicomponentes (dieta, exercício, treinamento cognitivo e monitorização de risco vascular) ou para uma orientação saudável (grupo controle). O componente dietético incluiu frutas e vegetais, cereais integrais, leite desnatado, carne magra, pouco açúcar, margarina em vez de manteiga e no mínimo duas porções de peixe por semana. A medida do desfecho primário foi mudança no desempenho de uma bateria de 14 te**es neurocognitivos. Durante o período de seguimento de 24 meses, a pontuação composta dos te**es foi 25% maior no grupo da intervenção que no grupo controle e o funcionamento executivo e a velocidade de processamento foram melhores no grupo da intervenção. No entanto, a memória não foi melhor no grupo da intervenção do que no grupo controle.
Essas evidências são sugestivas, mas não conclusivas, de que existe benefício para uma dieta saudável na cognição e na demência. Associadas a outros benefícios relacionados a hipertensão e doença cardiovascular,[4,8] os médicos devem considerar recomendar essas dietas para as pessoas idosas apropriadas.
Desenvolvido em associação com o UCLA Alzheimer's and Dementia Care Program
http://dementia.uclahealth.org/
Alzheimer's Dementia Care: UCLA Alzheimer's and Dementia Program: Santa Monica, CA: Helping patients and families with complex medical, behavioral, social needs of Alzheimer's disease and Dementia.