19/03/2026
Quando você muda de país, não é só a sua localização que muda, é você.
Por mais que você ainda carregue sua história, seus valores e seus sonhos, algumas partes simplesmente não entram na mala.
Você chega ao novo país e percebe que certas versões suas f**aram presas em outras ruas, outros cheiros e outras rotinas.
A pessoa que você era no lugar antigo parecia se encaixar sem esforço: você entendia a cultura, os códigos sociais, o humor, até os silêncios. Existia uma continuidade natural entre quem você era e o mundo ao seu redor.
Mas quando você parte, surge uma rachadura na linha do tempo da sua identidade.
Você não é mais exatamente quem era lá, mas também não sabe quem vai ser aqui.
F**a suspenso entre dois mundos, carregando um sentimento que ninguém nomeia muito bem.
E esse sentimento tem nome: é luto.
Luto por versões antigas de si.
Luto por identidades que não fazem mais sentido no novo contexto.
Luto por uma familiaridade que não pode ser recuperada.
Luto pelo conforto de se sentir completamente entendido.
É um luto que quase ninguém reconhece, porque ele não envolve uma perda clara.
É um luto íntimo, subjetivo e silencioso. Não é só saudade de casa, nem das pessoas, é uma falta de como e quem você era.
Nesse momento, é importante reconhecer essa perda para que haja espaço para novas partes de você possam florescer. Novos jeitos de existir, novas percepções, novas forças internas. Não porque você apagou o que ficou para trás, mas porque está se reconstruindo a partir dessas mudanças.