30/12/2025
Freud via o tempo cíclico como espelho da pulsão de morte, onde o Réveillon força o ego a confrontar repetições compulsivas; é chance de simbolizar o luto e integrar a sombra, transformando melancolia em autoconhecimento.
Assim sendo, no último dia do ano, não é sobre “recomeçar do zero”,
mas sobre prosseguir com o que se é, com um pouco mais de consciência.
Na psicanálise, não se pede ao sujeito que vire outro,
mas que se encontre no que já sente,
que reconheça o desejo que insiste — mesmo quando dói.
Que o novo ano não te obrigue a ser feliz o tempo inteiro.
Que te permita sentir, errar, repetir…
e quem sabe, desejar diferente.
Se 2025 te partiu, que 2026 te costure.
Não para apagar as cicatrizes,
mas para que elas possam contar a tua história sem te prender nela.
Que teu voto de ano novo seja menos promessa e mais pergunta:
“O que em mim ainda pede palavra?”
Um feliz ano possível.
Com afeto, presença e análise.
Como disse o sábio poeta, Carlos Drummond de Andrade, "Feliz olhar novo!"