04/02/2026
Na Humanae Vitae, de São Paulo VI, encíclica sobre o controle de natalidade, o papa afirma que os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador.
A abertura à vida passa por uma experiência profunda de conversão à liberdade e confiança no Criador que dá a vida conforme lhe apraz.
Essa liberdade não alcança o seio dos casais sem responsabilidade, mas em um movimento de escolha livre - permitam-me a redundância - e consciente!
Muito se fala da direção espiritual quando se trata de discernir o momento de ter ou não filhos; porém, esse caminho pode ser tomado de modo equivocado.
O papel do diretor espiritual, do formador pessoal ou comunitário, será SEMPRE, ou ao menos deveria ser, de iluminação das consciências, não de dar respostas ou proibir decisões que devem ser tomadas pelo formando à luz do Evangelho.
A autoridade espiritual precisa - conhecendo a doutrina da Igreja sobre paternidade responsável - orientar os cônjuges se seus motivos para espaçamento são ou não coerentes com as orientações da Mãe Igreja, sem que isso seja invasivo a ponto de comprometer intimidade da família e aquilo que cabe aos pais decidir.
As vezes a causa financeira - tão comum à preocupação dos homens - não justifique o espaçamento tanto quanto o desgaste emocional e psíquico de uma mãe de 2 filhos que passe o dia inteiro só, sem rede de apoio, que tenha emendado uma cesária na outra, e está a beira de um colapso mental.
Quem dirá que isso é ou não um motivo? Os pais, os envolvidos diretos na rotina daquela família.
Tenhamos cuidado para não delegarmos a outros o que só nós, a luz das nossas consciências poderemos discernir. Reitero: aos diretores espirituais caberá confirmar e orientar se as causas levadas são ou não de acordo com o que diz a Igreja, deixando que os pais decidam - a partir do que for partilhado - se dirão sim a um novo filho ou esperarão o tempo que lhes parecer oportuno.
A Deus que conhece os corações caberá o julgamento das motivações e do Sim ou Não dado naquele momento.