30/01/2026
Sempre evitei entrar em debates sobre mérito ou demérito na formação médica.
Mas há silêncios que com o tempo passam a soar como omissão.
Seria incoerente da minha parte ignorar o peso de uma escolha que atravessou os últimos 15 anos da minha vida. Quinze anos de estudo contínuo, de abdicações silenciosas, de bolsas irrisórias e vergonhosas, provas duras, concorrências quase inatingíveis, títulos conquistados passo a passo. Manhãs, tardes e noites dedicadas à medicina. Residência, pós-graduações, provas de título, cursos intermináveis. Tudo aquilo que não aparece por aqui!
No mesmo dia em que recebo fisicamente este título da Associação Médica Brasileira, da FEBRASGO e ABP, mais um reconhecimento como especialista (ainda jovem, entrando na casa dos 30) algo se assenta dentro de mim: formação importa. Ciência importa. Discernimento crítico importa.
Enquanto celebro essa conquista, chegam também as notícias sobre a fragilidade de muitas formações médicas atuais. E a memória me leva de volta aquele tempo em que passar era um privilégio raro, quase heróico. Lembro das viagens com minha mãe, das salas cheias pensando “preciso ir melhor que todo mundo que está aqui dentro”, do esforço imenso para conquistar um lugar e honra-lo, claro.
Houve momentos em que me perguntei se estava perdendo a juventude. Falei isso várias vezes com as minhas amigas.
Se não era agora o tempo de viver outras coisas.
Mas toda vez que seguro um diploma dourado, impecável, carregado de história eu me honro e penso… Eu estava vivendo, sim. Estava construindo.
Hoje, quando uma mulher coloca sua saúde em minhas mãos, faço isso com gratidão, consciência e profunda responsabilidade. Tenho preparo. Tenho ciência. Tenho segurança.
Por isso, deixo um convite, quase um pedido!
olhem com atenção, questionem, escolham com cuidado.
Porque confiar a própria vida e a de quem se ama é sagrado.