01/12/2025
O caminho do meio.
O algoritmo te alimenta exatamente do que você quer ler. Do que você quer ouvir. Induz psicoses documentadas até.
“Não quero conviver com petista!”
“Esse médico é um pilantra porque prescreveu tal coisa! ”
Como é difícil viver o caminho do meio.
Ouvi essa frase de uma médica e achei genial.
Mas na verdade, esse é um conceito budista que tem como princípio fugir dos extremos. Soa indeciso, na corda bamba, sem partido, sem personalidade.
Contraponho. Há muita personalidade em ter coragem de andar na corda, como um equilibrista, virar de cabeça pra baixo, subir pra oxigenar o cérebro, ouvir e formular sua própria opinião. Filtrar dos dois mundos, infelizmente, é seleto.
Virginia Apgar foi chamada de simplista e hoje seu protocolo é universal em todos os partos para avaliar os bebês; Ignaz foi ridículo por orientar os médicos a lavarem as mãos; Freud, por falar de sexualidade. Patch Adams por humanização hospitalar.
Não é infrequente que minhas consultas sejam iniciadas por mulheres dizendo: “vim porque sei que você não vai querer logo colocar um implante em mim” ou “você é Integrativa, não é?”
Pra mim, os pioneiros são inconsequentes. Os últimos são inseguros. Nunca quis me inserir nos extremos. Eu preferi estar no meio.
Bloquear ciclos quando necessários, mostrar mandala lunar para outras ciclarem.
Prescrever hormônios protocolados mas não deixar de estudar outras vias, como implantes por exemplo.
Fazer anestesia nos meus procedimentos, mas também ter a acupuntura ao lado como aliada da dor.
Prescrevo antidepressivos, mas pergunto sobre a fé, arte ou simplesmente se faz algo que gosta.
Prescrevo suplementos, mas prescrevo medicamentos.
Mas…
Essa sou eu. Uso salto e adoro andar descalça.
Sou a amiga patricinha das alternativas e a alternativa das amigas patricinhas.
Eu sou a do meio. E minha versão médica também é.
Um beijo! 🌷