15/12/2025
Para muitas pessoas, o calendário emocional não acompanha o calendário social. Dezembro chega com luzes, convites e expectativas, mas nem sempre encontra disposição interna para corresponder ao clima.
Em vez de alegria, o mês aciona lembranças, aumenta a comparação com anos anteriores, evidencia quem não está mais e faz com que pequenas tarefas, montar a árvore, escolher a ceia, responder a mensagens, pareçam maiores do que realmente são.
A cena é conhecida por profissionais que trabalham com luto, comportamento e saúde mental. Ganhou até nome popular: ‘dezembrite’. A realidade é que o fim do ano não cria o sofrimento, mas oferece menos esconderijos para ele.
Quando há luto ou mudanças importantes na família, é justamente essa previsibilidade que escancara o que não está mais ali. Tom Almeida, fundador do movimento inFinito e coautor do livro Guia para Encarar as Festas de Fim de Ano, descreve dezembro como uma “lente de aumento”: em meio à cidade iluminada e ao ambiente que pede celebração, o contraste com o mundo interno tende a ficar mais evidente.
Outro componente decisivo é a pressão social para estar bem. Dezembro carrega a expectativa de união, alegria e gratidão e quem não consegue acompanhar esse tom costuma se sentir deslocado.