03/12/2021
Ao longo dos 40 anos de pandemia de HIV/Aids, presenciamos uma verdadeira revolução médica e tecnológica, fazendo com que, em 2021, tratar uma pessoa diagnosticada com essa infecção ou impedir que alguém se infecte com o HIV se tornassem tarefas extremamente fáceis quando temos disponíveis as ferramentas desenvolvidas em pesquisas clínicas.
A partir do momento em que uma pessoa que vive com HIV tem acesso a todo o pacote de cuidado da saúde, com o tratamento antirretroviral e acompanhamento médico, multiprofissional e laboratorial, não se espera mais que a sua expectativa de vida seja encurtada, e sim que ela se prolongue. A explicação para isso é que o HIV, quando tratado, não mata ninguém e ainda por cima coloca o indivíduo numa rotina de cuidado longitudinal e de promoção de saúde.
Essa história pode parecer bonita quando contada dessa forma, mas na vida real as coisas sempre são um pouco diferentes. Somente no ano de 2020, 1,5 milhão de pessoas se infectaram com o HIV e foram registrados 690 mil óbitos por causa dessa infecção no mundo.
Se métodos eficazes de prevenção e tratamento do HIV já existem, continuamos registrando números obscenos de incidência e de mortalidade porque há barreiras impedindo o acesso da população mundial a eles. Cada novo caso de infecção por HIV ou de morte por Aids é a evidência de que falhamos.
A primeira e mais antiga barreira para atingirmos o controle da pandemia de HIV é o preconceito e a discriminação que a sociedade impõe sobre as pessoas que vivem com esse diagnóstico. A sorofobia de forma irracional afasta a população do diálogo, da educação em saúde, da prevenção, da testagem e do tratamento, jogando quem vive com HIV no papel de cidadão culpado, impuro e perigoso.
O Dia Mundial da Aids serve para lembrar que cada vez que você, que não vive com HIV, reproduz um discurso sorofóbico, está contribuindo para impulsionar e manter viva a pandemia de HIV.