30/01/2026
Tem gente que chega até mim dizendo:
“Eu como muito à noite. É o único momento em que eu relaxo.”
E isso diz muito mais sobre o dia do que sobre a comida.
Comer ativa circuitos cerebrais ligados à recompensa e ao alívio do estresse. Dopamina e serotonina entram em cena, o corpo desacelera e, por alguns minutos, a tensão cede. Para quem vive em estado constante de alerta, esse pode ser o único momento de descanso percebido.
Por isso, não adianta tratar esse comportamento como falta de controle.
Se fosse apenas força de vontade, a população mundial não estaria lidando com aumento progressivo de peso e sofrimento alimentar.
Cada pessoa constrói sua relação com a comida a partir da própria história, do nível de estresse, do sono, da rotina e das estratégias emocionais que teve disponíveis ao longo da vida. O que funcionou como solução em um momento pode virar prisão em outro.
O trabalho nutricional aqui não é retirar o alimento, mas ampliar o repertório de cuidado. Ensinar o corpo a encontrar segurança e relaxamento por outros caminhos, sem culpa e sem violência consigo mesma.
Não existe solução única. Existe percurso.
E ele começa quando a gente para de se acusar e começa a escutar.
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