07/05/2022
Precisamos entender a diferença entre maternidade e maternagem. Na maternidade há o processo biológico gestacional da mulher, o laço consanguíneo entre mãe e filho. Na maternagem o vínculo se dá pelo afeto, pelo cuidado e acolhimento, independente do parentesco.
Na Idade Média, entre os séculos V e XV, os laços familiares se davam a partir dos interesses econômicos e a manutenção dos seus bens, logo, não havia relação afetiva entre os cônjuges e os seus filhos.
Eram as camponesas pobres que cuidavam dos filhos dos nobres. As crianças ficavam com as camponesas até os oito ou nove anos de idade. Depois voltavam para as suas famílias, faziam tarefas domésticas ou trabalhavam como aprendizes.
Neste período, a maternidade e os bebês não eram valorizados. “Era comum o infanticídio e a prática do abandono da criança à própria sorte como forma de limitar o número de filhos (Bonnet, 1990)”.
Na Idade Moderna, entre os séculos XV e XVIII, período de intensas mudanças socio-econômicos-culturais, a estrutura familiar da sociedade capitalista burguesa entende que a sobrevivência da criança é importante para o Estado, pois se trata de futura mão-de-obra produtiva.
Neste contexto, o cuidado dos filhos passa a ser de responsabilidade materna. Cria-se que uma boa mãe tinha que nutrir um amor incondicional pelos seus filhos, logo, seria a única apta a cuidar deles em todas as fases da vida. Foi assim que surgiu o mito do amor materno. A única obrigação da mulher era ser mãe.
A Igreja e o Estado têm forte influência nessa mudança social.
Na Idade Contemporânea, entre o século XVIII e o atual, a maternidade – tanto a genética quanto a social – passaram por inúmeras transformações, com períodos de valorização e desvalorização.
A maternagem passa a ser dividida entre a mãe, outras pessoas (parentes) e instituições públicas ou privadas, porque esta é a única forma que a mãe possui para retornar ao mercado de trabalho e contribuir com o sustento da família.
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Flaviana Menezes é: Mulher, negra, deficiente física e periférica. Historiadora por paixão, palestrante por vocação e colunista da Revista Figo.