07/06/2023
A psicanálise é uma, entre muitas outras modalidades de psicoterapia. Existe uma multiplicidade de escolas e princípios psicoterápicos que, para simplificar, podemos dividir em dois grupos: as terapias sugestivas, que tentam aliviar e remover sintomas, e as terapias analíticas, que procuram alcançar as raízes dos distúrbios para efetuar uma mudança na totalidade da estrutura da personalidades.
O elemento essencial de qualquer psicoterapia é constituído pela relação entre paciente e terapeuta. Esta relação tem seu fundamento na transferência do paciente. Em poucas palavras, transferência é a repetição irracional, diante do terapeuta, de emoções e que têm sua origem em situações infantis, vividas e imaginadas.
A transferência não é algo criado pela terapia, mas um fenômeno universal em toda relação humana. Todos nós somos influenciados na escolha e nas relações com nosso meio com as pessoas.
E o que acontece na psicanálise?
Na psicanálise não focaliza somente o passado, a infância, como muita gente pensa, nem somente o presente, mas sempre a interrelação entre o passado e o presente. A transferência faz compreender ao analista como o paciente sentiu e agiu no passado, e as situações da infância e as fantasias infantis que o paciente nos
conta ajudam a compreender seus conflitos e seu comportamento atual. Os dois aspectos são interpretados para êle.
Diferentemente de quase todas as outras psicoterapias, o psicanalista só interpreta.
Interpretar, no sentido psicanalítico, quer dizer comunicar ao paciente as emoções, fantasias e reações que ele ignora, que são inconscientes, e que causam suas ansiedades e sintomas. A interpretação da ao paciente o "insight", isto é, uma percepção interna, de si próprio. O "insight" ganho pela interpretação é ao mesmo tempo uma compreensão intelectual e uma experiência emocional.
Jornal de Psicanálise
versão impressa ISSN 0103-5835
J. psicanal. vol.1 no.1 São Paulo maio 1966
Psicoterapia e psicanálise.