11/10/2023
No dia 6 de outubro o grande cientista Dr. Steven N. Blair nos deixou (Foto1).
Quando eu estava na graduação tive o meu primeiro contato com algumas das produções científicas do Dr. Steven Blair. Mas foi durante o mestrado que me dediquei de forma mais profunda a ler alguns dos seus trabalhos, mas ainda não tinha uma noção muito clara da relevância de suas obras. Nesse período eu estava buscando compreender o processo de desenvolvimento de critérios para a aptidão física relacionada à saúde – de forma mais específica eu queria ajudar a melhorar os pontos de corte para crianças e adolescentes do Brasil (Foto 2 e 3). No ano de 2008 eu li um de seus trabalhos, o qual foi publicado em 1989 no prestigiado periódico JAMA. O artigo me chamou muito a atenção, pois percebi que o pesquisador era muito arrojado, ainda mais considerando o ano da publicação (Foto 4).
Algum tempo depois eu percebi que havia me deparado com um trabalho icônico da minha área de estudo, na minha opinião uma leitura obrigatória para pós-graduandos em Educação Física que estudam temas relacionados à saúde, como, por exemplo, epidemiologia da atividade física e suas subáreas. Em diversos momentos tive a oportunidade de compartilhar os aprendizados obtidos com esse estudo (Foto 5)...
Além do arrojo na elaboração do estudo percebi as implicações práticas dos achados, os quais contribuíram naquele período para o desenvolvimento de pontos de corte para a aptidão cardiorrespiratória em adultos e posteriormente fundamentaram a elaboração dos critérios para a aptidão cardiorrespiratória de crianças e adolescentes propostos pelo Instituto Cooper de Pesquisa. Achei tudo aquilo fantástico! Esse trabalho influenciou muito a minha compreensão sobre o tema e alguns de meus trabalhos científicos. Depois disso, alguns de seus trabalhos novamente me surpreenderam pelos achados inusitados. Estudos analisando a influência da boa aptidão cardiorrespiratória para pessoas com excesso de gordura corporal (fat-but-fit hypothesis). Daí para frente ler os trabalhos dele foi pura diversão para mim... E percebo a influência das suas pesquisas em diversos trabalhos que fiz (Ex.: Foto 6)
Apesar das consistentes contribuições científicas outra característica fez eu admirá-lo ainda mais, o seu posicionamento como ser humano. Em 2011 o Dr. Blair esteve num congresso científico aqui no Brasil, nesta ocasião tive a oportunidade de ver a sua disponibilidade para com aqueles que o procuravam para conversar durante o evento. Quando assisti uma entrevista realizada com ele e o Dr. Ralph S. Paffenbarger Jr. (Foto 7) pude confirmar algumas impressões que tive durante o congresso.
A gentileza, o reconhecimento e o respeito, que o Dr. Blair teve ao falar das contribuições de seus colegas para a área é algo admirável (Link: https://www.youtube.com/watch?v=W9sVvUGCHo0&t=618s). Para mim, isso é coisa dos grandes!!! Pois de nada vale ser um pesquisador “produtivo” se o seu legado como ser humano for a formação (pois acredito que nossas ações ensinam e formam nossos pupilos constantemente) de uma nova geração de pesquisadores que esquecem que antes das produções científicas existe um motivo para sua realização (Ciência para quem?) e estão preocupados apenas com o seu status e currículo.
Mesmo sem ter uma convivência direta com o Dr. Blair recebi muitos aprendizados que avalio como positivos! Muito obrigado, Dr. Blair!
Meus sentimentos aos familiares e amigos!