02/06/2024
Eu não sou o “gigante que despertou” afinal, nunca estive adormecida, o sistema tentou me nocautear, me deixar na lona perdida no ringue da vida. Mas a carne de algum antepassado, atravessou kalunga grande e chegamos neste chão com olhos abertos, vencemos navios negreiros, vencemos o açoite do chicote e desviamos das armas de fogo e eu me recuso em acreditar no fim, não nasci para pedir esmola. Eu sou resistência desde as células de minhas entranhas até o som da minha voz propagada. O orgulho da vitória corre junto às moléculas de sangue em minhas veias, sangue babonko, sangue banto, sangue sagrado, sangue puro de além mar, sangue vermelho como a brasa do fogueteiro em que nasci. Quando olho para minhas lutas, não tenho mais a ansiedade de saber quando irá terminar, agora que ventou, deixa ventar! Não temo a guerra social, neste braseiro em que me puseram descalço, virei chama que queima lentamente, hoje sou eu que acendo o fogo de meu destino. Ex moradora de rua, com muita garra e muito orgulho. É vencer e vencer. Camisa feita no trampo