09/03/2026
Durante muito tempo, a genética foi tratada como sentença para a obesidade. Mas um estudo publicado em dezembro de 2025, com população japonesa, reforça um ponto importante: predisposição genética não é destino.
A pesquisa avaliou 145 adultos em um programa de 8 a 12 semanas com dieta low-carb (cerca de 50g de carboidratos/dia, proteína adequada) e treino de força supervisionado. Foi calculado um Genetic Risk Score (GRS) com 75 variantes associadas à obesidade para analisar se o risco genético influenciava os resultados.
Todos perderam peso, independentemente do risco genético. O IMC médio caiu de 27,6 para 23,8, com redução significativa de gordura corporal. Embora o GRS estivesse associado a maior IMC inicial, ele não previu quem emagreceria mais ou menos. Já modelos que integraram genética com dados clínicos reais foram mais eficazes na previsão de resultados.
Isso reforça que a obesidade é multifatorial e epigenética: genes indicam predisposição, mas alimentação, exercício, sono, estresse e hormônios determinam a expressão desses fatores.
Nesse cenário, análogos de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, representam um avanço importante. Atuam no apetite, saciedade e controle glicêmico, facilitando a adesão às mudanças de estilo de vida. Não substituem hábitos, mas potencializam resultados quando bem indicados.
A evidência científica e a prática clínica mostram: não existe solução isolada. Dieta, exercício, medicação e acompanhamento profissional devem caminhar juntos, com abordagem individualizada e multidisciplinar.