23/10/2022
O desamparo vivido pelos profissionais da saúde em geral e por nós da saúde mental no árduo trabalho da escuta do sofrimento emocional vivido pelos indivíduos, pelos casais e pelas famílias durante os anos da pandemia nos fez repensar o setting físico e mental. Nos adaptamos com o trabalho online e precisamos ampliar nossas redes para sobreviver psiquicamente num cenário de medo e morte.
Fazer parte de um grupo de trabalho nesse contexto foi, e ainda é, 'ampara-dor' e 'des-afiador'.
Estar nesse congresso da AIPCF com o tema 'Psicanálise de Casal e Família em tempos de mudança' ouvindo tantas experiências e reflexões significativas pelo mundo é muito gratificante, não estamos sozinhos em nossos desafios e angústias.
Tivemos um belo desafio no nosso grupo do Napc (Núcleo de Atendimento e Pesquisa da Conjugalidade e Familia), com o aumento significativo da procura e urgência pelos atendimentos, propusemos e realizamos o Plantão Psicológico, onde os vários dispositivos presentes (plantão, online, casal, família, grupo, co-terapia, instituição) nos possibilitou a escrita desse trabalho.
A compreensão da experiência de um APGT (aparelho psíquico grupal terapêutico) sustentado pelas supervisões em nosso grupo de trabalho (Napc) pôde ser apresentada neste congresso internacional, em português.
Ter esta experiência e ouvir tantas outras nos faz ter a certeza de que em nosso tempo, o trabalho em grupo é primordial e os desafios infinitos, a saúde mental só pode acontecer a partir das relações, dos vínculos. Cuidar dos vínculos é sem dúvidas construir novas possibilidades clínicas e sociais, ainda mais em tempos de tantas incertezas.