13/06/2022
Ao descobrir que seria mãe , desde o início, uma chuva de relatos, experiências, informações, conteúdos vinham a minha direção , trazendo a verdadeira face da maternidade. Mostravam a maternidade real , nua e crua.
Me falavam como seria após o nascimento da bebê. Diziam que eu nunca mais dormiria a noite toda,que eu perderia minha identidade. Que eu viveria exausta, cansada. Que eu viveria em prol de outra pessoa, já não teria tempo para as minhas vontades, projetos, tudo teria que ser adiado.
Guardei todas essas informações em meu coração. Eu desejava viver essa realidade, sentir o amor visceral, e pedi a graça de sentir o sobrenatural.
A pequena Cecília nasceu. Realmente aconteceu os despertares noturnos, e os hormônios mexiam com o meu emocional. Fisiologicamente eu sabia que o puerpério não era algo fácil, mas seria melhor se eu mantivesse meus olhos ao Alto.
“Daí me a graça de contemplar a Tua face Senhor, nestes pequenos olhos escuros”. E assim eu me levantava para acolher e amamentar. E ao final de cada ma**da, lá no meu íntimo Ele dizia: “tive fome e destes de comer, tive sedes e me deste de beber…”
O sobrenatural se fazia presente. E eu não poderia negar. O amor estava materializado em um ser tão pequeno. A responsabilidade de cuidar, zelar e acolher aquela outra pessoa era muito maior do que o cansaço que eu apresentava.
“O Amor me mostrou tudo”. Eu compreendi que o cansaço da maternidade tinha um sentido profundo. Era na minha doação, e disposição que eu amava de verdade.
Realmente eu perdi minha identidade. Eu deixei para atrás a menina egoísta, preguiçosa, para se tornar uma mulher com grandes responsabilidades. Eu tinha nas minhas mãos um corpo para ser alimentado e uma alma para ser moldada.
Com a chegada da minha primeira filha eu tive que escolher. Escolher qual era as prioridades da minha vida. Entendi que as pessoas valem muito mais que as coisas, e ponto final, isto era inegociável.
Eu vivia, e vivo até hoje em prol de outras pessoas. E foi em meio a essa doação total que eu descobri o valor da minha vida. E que o cansaço valeria a pena, pois é dando que se recebe, é morrendo que se vive para vida Eterna.