28/10/2025
🪞 Psicanálise e cultura digital: quem somos quando deslizamos o dedo?
Hoje em dia, basta um gesto simples — deslizar o dedo na tela — e nos conectamos a milhares de rostos, opiniões e imagens. Mas já parou para pensar no que acontece dentro da gente enquanto fazemos isso?
Na psicanálise, acreditamos que nada acontece sem um sentido, mesmo que inconsciente. Esse “scroll infinito” pode ser uma forma silenciosa de buscar algo: um olhar que nos reconheça, um reflexo de nós mesmos que faça sentido.
Cada curtida que esperamos, cada filtro que escolhemos, carrega um desejo antigo: ser vistos, aceitos, compreendidos, amados.
Os filtros digitais vão além da estética. Eles são como máscaras modernas do que imaginamos ser o “eu ideal”. Alisam o rosto, escondem marcas, e, muitas vezes, junto com as imperfeições, escondem também nossas histórias. Mas essas histórias são nossas, e têm valor.
A psicanálise não vem para julgar o que fazemos nas redes. Ela convida à reflexão sincera.
O que estamos tentando mostrar?
O que estamos tentando esconder?
E, acima de tudo: quem somos de verdade quando a tela se apaga?
Talvez o verdadeiro desbloqueio não aconteça no celular. Talvez ele aconteça dentro da gente, quando conseguimos olhar para o que é real, sem filtros, com coragem e carinho.