28/02/2026
“Cannabis dá fome” é uma frase comum. Mas quando falamos em peso corporal, a ciência mostra um cenário bem mais complexo.
Uma revisão recente discutiu a relação entre cannabis, peso e comportamentos ligados ao ganho de peso, como apetite, padrão alimentar, sono e atividade física. O impacto pode variar conforme perfil do paciente, composição do produto (THC/CBD), dose, frequência e contexto clínico.
1) Apetite: efeito agudo ≠ efeito crônico
No uso agudo, especialmente com THC, é comum observar aumento de apetite e maior palatabilidade dos alimentos.
Já em estudos populacionais, alguns dados associam usuários a IMC médio menor — mas isso não prova causalidade e pode refletir diferenças de estilo de vida.
2) Peso pode ser consequência de comportamento
O artigo destaca que o efeito pode ocorrer indiretamente, via mudanças em:
– escolhas alimentares
– qualidade do sono
– atividade física
– consumo de álcool
– saúde mental
Ou seja, o impacto não é apenas farmacológico.
3) O que isso muda para o prescritor?
O ponto não é tratar cannabis como “engorda” ou “emagrece”, mas monitorar.
Perguntas úteis no follow-up:
– houve mudança no padrão alimentar?
– aumento de fome noturna?
– melhora ou piora do sono?
– alteração de peso ou circunferência abdominal?
4) Orientação prática
Em pacientes com sobrepeso, diabetes ou risco metabólico, vale reforçar metas objetivas e reavaliar dose e rotina se houver aumento importante de apetite.
Resumo: o tema exige leitura madura. O efeito pode envolver farmacologia, mas também comportamento, sono e saúde mental.
Acompanhar essas variáveis faz parte de uma prescrição responsável.
Referências: Goodpaster, K.P.S. Cannabis, Weight, and Weight-Related Behaviors. Curr Obes Rep 14, 40 (2025). https://doi.org/10.1007/s13679-025-00633-z