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A escrita e o cérebro: como transformar pensamentos em linguagem visívelA escrita é uma das conquistas mais sofisticadas...
15/11/2025

A escrita e o cérebro: como transformar pensamentos em linguagem visível

A escrita é uma das conquistas mais sofisticadas da mente humana. Diferente da fala, que é instintiva, escrever exige que o cérebro traduza ideias abstratas em símbolos visuais, conectando múltiplas áreas neurais responsáveis por percepção, linguagem, memória, coordenação motora e emoção. Escrever é, literalmente, um exercício de integração cerebral.

Pesquisas publicadas na Frontiers in Psychology (Berninger & Richards, 2010) mostram que a escrita manual ativa de forma intensa o córtex pré-frontal (ligado à atenção e ao planejamento), o giro temporal superior (associado à linguagem), e o cerebelo, que coordena os movimentos precisos da mão. Essa ativação combinada explica por que escrever à mão estimula a aprendizagem e a retenção de informações de modo mais profundo do que digitar.

Estudos de James e Engelhardt (Journal of Cognitive Neuroscience, 2012) demonstraram que crianças que aprendem a escrever manualmente apresentam maior ativação em áreas cerebrais envolvidas no reconhecimento de letras e palavras. Ou seja, o ato físico de escrever ajuda o cérebro a “aprender a ler” de forma mais eficiente.

Do ponto de vista cognitivo, escrever organiza o pensamento. Quando colocamos ideias no papel, o cérebro precisa selecionar, hierarquizar e estruturar informações, o que fortalece a memória de trabalho e o raciocínio lógico. Além disso, estudos sugerem que a escrita expressiva — aquela usada para refletir sobre experiências e emoções — melhora o bem-estar psicológico, reduzindo sintomas de ansiedade e depressão (Pennebaker & Smyth, 2016, Journal of Writing Research).

🌱 Escrever é muito mais do que registrar palavras — é dar forma ao pensamento. Cada frase traçada à mão é um diálogo entre corpo e mente, entre emoção e razão. Na escrita, o cérebro encontra uma maneira única de compreender o mundo — e a si mesmo.

Como é o tratamento de inoculação ao estresse: treinando a mente para enfrentar desafiosA terapia de inoculação ao estre...
14/11/2025

Como é o tratamento de inoculação ao estresse: treinando a mente para enfrentar desafios

A terapia de inoculação ao estresse é uma abordagem psicológica desenvolvida nos anos 1970 pelo psicólogo Donald Meichenbaum, com base em uma ideia simples e poderosa: assim como o corpo pode ser vacinado contra um vírus, a mente pode ser “vacinada” contra o estresse. Ou seja, é possível treinar o cérebro para lidar melhor com situações desafiadoras, reduzindo o impacto emocional e prevenindo crises futuras.

Esse tratamento é amplamente utilizado em psicologia clínica e em contextos de alta pressão — como entre profissionais da saúde, militares, atletas e pessoas que enfrentam ansiedade crônica. O objetivo é ensinar estratégias cognitivas e comportamentais que fortalecem a resiliência emocional e a autorregulação.

Segundo estudos publicados no Clinical Psychology Review (Meichenbaum & Deffenbacher, 1988), o processo ocorre em três fases principais:

Educação e compreensão: o paciente aprende sobre o estresse — como ele se manifesta no corpo e na mente, e quais pensamentos o intensificam. Essa consciência já reduz a sensação de descontrole.

Treinamento de habilidades: são introduzidas técnicas práticas, como respiração diafragmática, relaxamento muscular progressivo, reestruturação cognitiva (mudança de pensamentos distorcidos) e visualização positiva.

Aplicação e generalização: o indivíduo pratica essas estratégias em situações simuladas e, depois, no cotidiano real, fortalecendo gradualmente sua resistência ao estresse.

Pesquisas contemporâneas no Journal of Behavioral Medicine (Saunders et al., 1996) mostraram que essa terapia é eficaz na redução da ansiedade, no aumento da autoconfiança e na melhora do desempenho em contextos de alta pressão. Neurocientificamente, o treinamento ajuda a regular a atividade da amígdala e a fortalecer o córtex pré-frontal, regiões envolvidas na resposta emocional e no controle racional.

Curiosidade e aprendizado: o combustível interno da mente humanaPesquisas publicadas na Neuron (Gruber, Gelman & Rangana...
13/11/2025

Curiosidade e aprendizado: o combustível interno da mente humana

Pesquisas publicadas na Neuron (Gruber, Gelman & Ranganath, 2014) mostraram que a curiosidade ativa o circuito de recompensa do cérebro — o mesmo associado ao prazer e à motivação —, estimulando a liberação de dopamina. Essa substância fortalece as conexões entre o hipocampo (responsável pela formação da memória) e o córtex pré-frontal (ligado à atenção e ao raciocínio). O resultado é que aprendemos e lembramos com muito mais facilidade quando o conteúdo desperta interesse genuíno.

Estudos conduzidos na Psychological Science (Kang et al., 2009) demonstraram que a curiosidade não apenas melhora a memória sobre o tema de interesse, mas também sobre informações neutras apresentadas logo em seguida. Ou seja, quando a mente está curiosa, ela entra em um modo de aprendizado ampliado — uma espécie de “superestado cognitivo”.

Do ponto de vista evolutivo, a curiosidade foi essencial para a sobrevivência humana: levou-nos a explorar territórios desconhecidos, criar ferramentas e desenvolver linguagem. Na infância, ela é o motor natural da aprendizagem, manifestando-se em perguntas incessantes, brincadeiras exploratórias e desejo de descobrir o “porquê” das coisas.

Infelizmente, ambientes muito rígidos ou baseados apenas em recompensas externas tendem a sufocar a curiosidade, substituindo o prazer de aprender pela obrigação de acertar. Por isso, educadores e cuidadores têm um papel crucial: preservar o encanto de descobrir, oferecendo desafios instigantes, liberdade de expressão e espaço para o erro criativo.

🌱 A curiosidade é a centelha da inteligência. É ela que transforma a informação em sabedoria e o aprendizado em prazer. Cultivá-la é nutrir o desejo humano mais profundo: o de compreender e crescer.

Movimento e cognição: como o corpo impulsiona o pensamentoDurante muito tempo, acreditou-se que o corpo e a mente funcio...
12/11/2025

Movimento e cognição: como o corpo impulsiona o pensamento

Durante muito tempo, acreditou-se que o corpo e a mente funcionavam de forma separada — o primeiro responsável pela ação, o segundo pelo raciocínio. Hoje, a ciência mostra o oposto: movimento e cognição são profundamente interdependentes. O cérebro não foi feito apenas para pensar, mas para agir; e cada movimento corporal estimula circuitos neurais que fortalecem a atenção, a memória e o aprendizado.

Pesquisas publicadas na Nature Reviews Neuroscience (Diamond, 2000) demonstram que a atividade física regular melhora o desempenho das chamadas funções executivas — um conjunto de habilidades mentais que incluem planejamento, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Esses benefícios são especialmente visíveis em crianças, cujo cérebro ainda está em intensa fase de desenvolvimento.

Estudos conduzidos por Hillman et al. (Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2008) mostram que o exercício físico aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, substâncias que melhoram a concentração e a capacidade de aprender. Em crianças e adolescentes, a prática regular de esportes está associada a melhor desempenho escolar e maior autorregulação emocional.

Do ponto de vista neurobiológico, o movimento também estimula a produção do BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor) — uma proteína que atua como “fertilizante neural”, promovendo o crescimento e a sobrevivência dos neurônios. Isso significa que mover-se literalmente fortalece o cérebro em nível estrutural.

Além disso, práticas que combinam movimento e atenção, como dança, ioga e artes marciais, ajudam a integrar corpo e mente, favorecendo estados de foco e presença. Essa integração é essencial não apenas para o aprendizado, mas também para o equilíbrio emocional.

🌱 Pensar e mover-se são, na verdade, dois lados da mesma moeda. Cada passo, gesto ou respiração consciente é também um treino para o cérebro — uma forma de aprender com o corpo e expandir a mente.

Por que estou deprimido sem razão? Entendendo a experiência da depressãoUma das experiências mais dolorosas da depressão...
11/11/2025

Por que estou deprimido sem razão? Entendendo a experiência da depressão

Uma das experiências mais dolorosas da depressão é justamente a sensação de não saber por quê. Muitas pessoas descrevem sentir-se tristes, exaustas ou vazias, mesmo quando tudo parece “bem” em volta. Essa falta de explicação lógica gera culpa e confusão — mas a ciência mostra que a depressão raramente é fruto de uma única causa. Ela é um fenômeno biológico, psicológico e social profundamente complexo.

Pesquisas publicadas no Lancet Psychiatry (Malhi & Mann, 2018) explicam que a depressão envolve alterações em sistemas cerebrais responsáveis pela regulação do humor, como os que utilizam serotonina, dopamina e noradrenalina. Essas substâncias químicas atuam em regiões como o córtex pré-frontal e o hipocampo, que controlam motivação, prazer e tomada de decisão. Quando há desequilíbrio, o cérebro pode “perder o brilho”, tornando atividades antes prazerosas emocionalmente planas.

Estudos de Sheline et al. (American Journal of Psychiatry, 2003) mostraram que pessoas com depressão frequentemente apresentam redução de volume no hipocampo — uma consequência do estresse crônico e dos altos níveis de cortisol. Isso ajuda a entender por que sintomas como fadiga, lentidão cognitiva e falta de energia aparecem mesmo sem um motivo externo claro.

Mas a depressão também é moldada por experiências. Traumas, isolamento social, privação de sono e até alimentação inadequada podem afetar o sistema nervoso e amplificar a vulnerabilidade emocional. Por outro lado, a presença de relações de apoio, atividades prazerosas e tratamento adequado — como terapia e, quando necessário, medicação — podem restaurar o equilíbrio químico e funcional do cérebro.

🌱 Estar deprimido “sem razão” não significa fraqueza nem ingratidão. Significa que há algo no corpo e na mente que precisa de cuidado e escuta. A depressão não é apenas tristeza — é um distúrbio do sentir. E como toda condição biológica, ela merece compreensão, tratamento e, sobretudo, compaixão.

Nervoso x ansioso: qual a diferença?Na linguagem cotidiana, é comum confundir estar “nervoso” com estar “ansioso”. Ambos...
10/11/2025

Nervoso x ansioso: qual a diferença?

Na linguagem cotidiana, é comum confundir estar “nervoso” com estar “ansioso”. Ambos os estados envolvem desconforto emocional e reações físicas semelhantes — coração acelerado, tensão muscular, inquietação — mas têm origens e funções diferentes no cérebro. Entender essa diferença é fundamental para identificar o que estamos sentindo e cuidar melhor da saúde mental.

🧠 Estar nervoso é uma reação imediata a algo específico. Surge diante de uma situação concreta que causa irritação, frustração ou raiva — como uma discussão, uma injustiça ou um contratempo. O sistema nervoso libera adrenalina, preparando o corpo para agir. Quando o evento passa, a sensação tende a diminuir rapidamente.

Já a ansiedade é uma resposta antecipatória: ela aparece antes que algo aconteça, muitas vezes sem um motivo claro. O cérebro ativa os mesmos sistemas de alerta usados em situações de perigo real, mas sem um estímulo concreto para resolver. É como se a mente ficasse presa em um modo de “previsão constante”.

Pesquisas publicadas no Biological Psychiatry (Etkin & Wager, 2007) mostram que, enquanto o nervosismo está mais ligado a circuitos cerebrais associados à raiva e à resposta imediata ao estresse, a ansiedade envolve a hiperatividade da amígdala e do córtex pré-frontal ventromedial, regiões responsáveis por antecipar ameaças e processar emoções futuras.

Essa distinção é importante porque o manejo também é diferente. O nervosismo costuma ser aliviado com tempo, diálogo ou atividades relaxantes. Já a ansiedade, quando persistente, requer estratégias mais estruturadas — como terapia cognitivo-comportamental, técnicas de respiração e, em alguns casos, acompanhamento médico.

🌱 Em resumo: o nervosismo é a faísca; a ansiedade é o fogo que continua mesmo depois que o perigo passa. Aprender a reconhecer esses estados é o primeiro passo para responder de forma mais consciente e equilibrada às emoções do dia a dia.

A diferença entre ansiedade normal e transtorno de ansiedade: quando o alerta se transforma em alarmeSentir ansiedade é ...
09/11/2025

A diferença entre ansiedade normal e transtorno de ansiedade: quando o alerta se transforma em alarme

Sentir ansiedade é parte natural da experiência humana. Ela surge como uma resposta adaptativa do cérebro diante de situações novas, incertas ou desafiadoras — uma espécie de sinal de alerta que nos prepara para agir. Esse tipo de ansiedade é saudável: nos ajuda a estudar antes de uma prova, nos manter atentos ao atravessar a rua ou nos preparar para uma apresentação importante.

No entanto, quando esse estado de alerta se torna constante, intenso e desproporcional à situação real, a ansiedade deixa de ser funcional e passa a caracterizar um transtorno de ansiedade. Nesses casos, o corpo e a mente permanecem em modo de ameaça mesmo quando o perigo já passou, o que interfere no sono, na concentração, no apetite e nas relações sociais.

Pesquisas publicadas no Dialogues in Clinical Neuroscience (Stein & Sareen, 2015) mostram que o transtorno de ansiedade está associado a uma hiperatividade da amígdala, região do cérebro que detecta o medo, e a um enfraquecimento da comunicação com o córtex pré-frontal, responsável pelo controle racional das emoções. Essa combinação faz com que o cérebro perceba perigo onde não há, mantendo o corpo em estado de tensão constante.

Estudos da World Health Organization (OMS, 2023) apontam que os transtornos de ansiedade estão entre as condições de saúde mental mais prevalentes no mundo, afetando cerca de 300 milhões de pessoas. A boa notícia é que o tratamento é altamente eficaz: a terapia cognitivo-comportamental (TCC), técnicas de respiração, mindfulness e, em alguns casos, medicação, ajudam a restabelecer o equilíbrio entre o sistema emocional e o racional do cérebro.

🌱 A diferença entre a ansiedade normal e o transtorno está na intensidade, na duração e no impacto sobre a vida. A primeira protege; o segundo aprisiona. Reconhecer esse limite é o primeiro passo para buscar ajuda e recuperar o bem-estar.

A importância da saúde mental: equilíbrio invisível que sustenta a vidaCuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do ...
08/11/2025

A importância da saúde mental: equilíbrio invisível que sustenta a vida

Cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo. A saúde mental não é apenas a ausência de transtornos, mas o estado de equilíbrio que nos permite lidar com desafios, construir relações saudáveis, tomar decisões conscientes e encontrar sentido na vida. Ela é a base silenciosa de tudo o que fazemos — do aprendizado à empatia, da produtividade à capacidade de amar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada oito pessoas no mundo vive com algum transtorno mental, e metade deles começa antes dos 14 anos. Esses dados reforçam que o cuidado psicológico deve ser preventivo, e não apenas emergencial. O cérebro humano é moldado por experiências, emoções e relações; quando exposto a estresse prolongado, trauma ou isolamento, sua estrutura e funcionamento podem se alterar significativamente.

Pesquisas publicadas no The Lancet Psychiatry (Vigo, Thornicroft & Atun, 2016) mostram que investir em saúde mental não só reduz o sofrimento individual, mas também melhora o desempenho escolar, a produtividade e a coesão social. Já estudos da Harvard School of Public Health apontam que emoções positivas e relações de apoio estão associadas a menor risco de doenças cardiovasculares e maior longevidade.

Cuidar da saúde mental envolve hábitos simples, mas poderosos: sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física, conexão social e, quando necessário, acompanhamento psicológico. Esses fatores fortalecem o cérebro e criam resiliência emocional frente às pressões da vida moderna.

🌱 A saúde mental é o alicerce do bem-estar humano. Cuidar da mente é um ato de coragem e amor — consigo mesmo e com os outros. Porque quando a mente floresce, tudo ao redor floresce também.

Memórias com emoção: quando o coração ensina o cérebro a lembrarNem todas as lembranças são iguais. Algumas permanecem v...
07/11/2025

Memórias com emoção: quando o coração ensina o cérebro a lembrar

Nem todas as lembranças são iguais. Algumas permanecem vivas por toda a vida — um cheiro, uma música, um abraço — enquanto outras se apagam rapidamente. A ciência explica que o segredo por trás dessa diferença está na emoção: quanto mais intensa for a carga emocional de uma experiência, maior a chance de ela se transformar em uma memória duradoura.

Pesquisas publicadas na Nature Reviews Neuroscience (McGaugh, 2004) mostraram que a amígdala, estrutura cerebral ligada às emoções, atua como um “intensificador” da memória. Quando vivemos algo que desperta medo, alegria ou surpresa, a amígdala estimula a liberação de hormônios como adrenalina e noradrenalina, que fortalecem a consolidação da lembrança no hipocampo, área responsável por armazenar memórias de longo prazo.

Estudos de Cahill e McGaugh (Science, 1995) demonstraram que pessoas lembram melhor de eventos emocionalmente marcantes do que de acontecimentos neutros. Essa conexão evolutiva tem uma função adaptativa: lembrar do que causa prazer ou perigo aumenta nossas chances de sobrevivência e aprendizado.

Mas as emoções não apenas fixam as lembranças — elas também moldam como as recordamos. Situações vividas em contextos de amor e segurança tendem a ser lembradas de forma positiva, enquanto experiências traumáticas podem distorcer ou fragmentar a memória. Por isso, o ambiente emocional em que uma criança cresce influencia profundamente como ela interpreta e armazena suas vivências.

As memórias com emoção são o tecido que costura nossas histórias. Elas nos lembram de quem somos, do que sentimos e de como aprendemos com a vida. Cada emoção vivida é uma forma de aprendizado — uma marca no cérebro, mas também no coração.

O Experimento das Bonecas Bobo revelou como a agressividade pode ser aprendida — e não apenas instintiva.Na década de 19...
06/11/2025

O Experimento das Bonecas Bobo revelou como a agressividade pode ser aprendida — e não apenas instintiva.

Na década de 1960, o psicólogo canadense Albert Bandura, da Universidade de Stanford, realizou um estudo que mudaria para sempre a psicologia do comportamento.

Crianças assistiam a adultos batendo em uma boneca inflável chamada “Bobo Doll”, chutando, socando e gritando.

Depois, quando deixadas sozinhas com a mesma boneca, as crianças reproduziam exatamente os comportamentos agressivos que haviam observado — e até criavam novas formas de violência (Bandura, Ross & Ross, 1961, Journal of Abnormal and Social Psychology).

O experimento provou que aprendemos por observação e imitação, um conceito conhecido como aprendizagem social.

Ou seja: não é preciso ser punido ou recompensado para aprender — basta ver alguém fazendo.

Bandura mostrou que o ambiente, a mídia e os modelos que seguimos moldam profundamente nossos comportamentos, inclusive os negativos.

Reflexão: as crianças não aprendem apenas com o que dizemos, mas principalmente com o que fazemos. Somos o espelho em que elas se formam.

Referências científicas:

Bandura, A., Ross, D., & Ross, S. A. (1961). Transmission of aggression through imitation of aggressive models. Journal of Abnormal and Social Psychology, 63(3), 575–582.

Bandura, A. (1977). Social Learning Theory. Prentice-Hall.

O exemplo é mais poderoso que qualquer palavra. O comportamento é contagioso — o bom e o ruim.

Estresse em crianças: quando o corpo pequeno carrega grandes emoçõesO estresse é uma resposta natural do corpo a desafio...
05/11/2025

Estresse em crianças: quando o corpo pequeno carrega grandes emoções

O estresse é uma resposta natural do corpo a desafios e mudanças — e isso inclui as crianças. Em doses equilibradas, ele pode até ser positivo, ajudando no aprendizado e na adaptação. Mas quando se torna intenso ou prolongado, o estresse infantil passa a ter efeitos profundos sobre o desenvolvimento cerebral, emocional e físico.

Pesquisas publicadas no Nature Neuroscience (Lupien et al., 2009) mostram que o estresse crônico na infância pode alterar a estrutura e o funcionamento do cérebro, especialmente em regiões como o hipocampo (responsável pela memória), a amígdala (ligada ao medo e à emoção) e o córtex pré-frontal (relacionado à autorregulação e à tomada de decisão). Essas mudanças podem impactar a aprendizagem, a concentração e a regulação emocional.

Estudos de Shonkoff e Garner (Pediatrics, 2012), do Center on the Developing Child da Universidade de Harvard, classificam o estresse em três níveis: positivo (de curta duração e com apoio emocional), tolerável (situações desafiadoras com suporte do cuidador) e tóxico (prolongado e sem apoio). É esse último tipo que mais prejudica o cérebro em desenvolvimento, pois libera continuamente hormônios do estresse, como o cortisol, em níveis prejudiciais.

Ambientes seguros, relações afetuosas e rotinas previsíveis são os principais antídotos contra o estresse tóxico. O contato com a natureza, o brincar, o sono adequado e a escuta empática ajudam a restaurar o equilíbrio fisiológico e emocional da criança.

O estresse infantil não deve ser subestimado. Com cuidado, presença e afeto, é possível transformar o medo e a tensão em aprendizado e fortalecimento. O cérebro infantil é sensível — mas também extraordinariamente capaz de se recuperar quando encontra segurança e amor.

O Caso Clive Wearing é uma das histórias mais comoventes e reveladoras da neurociência moderna.Clive era um talentoso ma...
04/11/2025

O Caso Clive Wearing é uma das histórias mais comoventes e reveladoras da neurociência moderna.

Clive era um talentoso maestro britânico. Em 1985, ele contraiu uma encefalite viral que destruiu partes do seu hipocampo, região essencial para a formação de memórias.

Desde então, ele vive em um “eterno presente”: esquece tudo o que acontece após poucos segundos.

Ele não consegue lembrar o que comeu, onde está ou o que acabou de dizer. Mas, paradoxalmente, ainda toca piano com maestria e reconhece sua esposa com emoção, todas as vezes como se fosse o reencontro do século.

Esse caso foi um marco para a ciência, mostrando que a memória não é uma função única, mas um conjunto de sistemas — e que emoções e lembranças procedurais (como tocar música) são armazenadas em áreas diferentes do cérebro (Wilson et al., 2008, Neuropsychologia).

Clive provou que o amor e a arte estão além da memória consciente. Mesmo sem lembrar do passado, ele sente — e sentir é uma forma de existir.

Reflexão: nossa identidade depende da memória, mas também das emoções que permanecem quando tudo o resto se apaga.

Referências científicas reais:

Wilson, B. A., Baddeley, A., & Kapur, N. (2008). Dense amnesia in a professional musician: Implications for the long-term memory system. Neuropsychologia, 46(3), 634–648.

Sacks, O. (2007). Musicophilia: Tales of Music and the Brain. Knopf.

Mesmo sem passado, Clive nos lembra que o sentimento é o que mantém viva a essência do ser humano.

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São Paulo, SP

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