21/09/2018
[NOTA DE REPÚDIO]
Assinamos a nota do coletivo feminista Politécnicas .R.existem, da Escola Politécnica da USP, em repúdio ao candidato Jair Bolsonaro.
[NOTA DE REPÚDIO]
O coletivo Politécnicas (R)existem vem por meio dessa publicação manifestar o seu repúdio às ações do candidato a presidência pelo PSL, Jair Messias Bolsonaro. Suas declarações, posicionamentos políticos e intolerância a vários grupos da nossa sociedade nos mostra que o candidato tem o menor respeito e zelo aos direitos da população. É por enxergá-lo como uma ameaça a nossa democracia e aos direitos humanos que decidimos nos pronunciar.
Nos traz enorme repulsa suas diversas declarações machistas e misóginas. Jair declarou que "não empregaria uma mulher com um salário igual ao salário de um homem" pois mulheres engravidam [1]. Também já argumentou contra Maria do Rosário que ela não devia ser estuprada porque ela não merece [2], partindo do pressuposto de que há pessoas que merecem ser estupradas - é deplorável ter um líder de uma nação favorável a tamanha violação do corpo. Ainda sobre estupro, ele foi co-autor do projeto de lei 6055/2013 para revogar uma lei que vítimas de violência sexual tivessem atendimento obrigatório pelo SUS [3]. Em relação ao ab**to, Jair não apresenta diálogo algum sobre o tema - não mostra preocupação alguma em relação a saúde da mulher.
Pela luta ser feminista, é nosso dever ter empatia com as demais minorias - logo, não podemos nos abster em relação às suas demais polêmicas. No clube Hebraica, em 2017, o candidato fez alegações imensuravelmente racistas ao discursar sobre um quilombo, fazendo referências a época da escravidão [4]. É inadmissível aceitar um candidato que se refere a população negra com tanto desdém e marginalização. Seu preconceito também atinge a população indígena do país, ameaçando seus poucos direitos conquistados e provocando um grande retrocesso na luta indígena [5]. O deputado também se mostrou intolerante em relação aos temas de identidade de gênero e orientação sexual [6] - disse até que caso o filho mantivesse relações com outro homem, era por falta de violência física dentro de casa [7].
Nossa preocupação também está relacionada a todas às vezes que se posicionou favorável ao Regime Militar. Durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, ele dedicou seu voto a Brilhante Ustra [8], o mesmo que havia torturado Dilma durante a ditadura [9] - o que evidencia sua crueldade em apoiar ações de tamanha violação aos direitos humanos.
A Escola Politécnica foi palco de diversas manifestações e atos políticos em seus mais de 100 anos de existência. Sua grande influência na política fez com que Gilberto Gil viesse na década de 70 realizar um festival-denúncia para falar dos atos brutais da Ditadura Militar, fazendo vítimas da própria USP. Esse evento foi marcante para o movimento estudantil. A Poli, nos últimos anos, se absteve a diversos temas de grande importância na nossa conjuntura nacional, desonrando a sua posição de resistência e discussão política construída no passado. É hora de retomar essa atitude e mostrar que na escola que forma líderes, ainda temos as vozes que podem fazer a diferença - nossas vozes devem combater a ameaça fascista nessas eleições de 2018.
CRONOGRAMA DE ATOS:
28/09, no Vão do Biênio - Oficina de Cartazes para o Ato do dia 29: https://www.facebook.com/events/2353075661432391/
29/09, na Praça da Independência em Santos - Mulheres contra bolso.na.ro Santos e Baixada Santista: https://www.facebook.com/events/294052698089425/
29/09, no Largo da Batata - Mulheres contra bolsonaro: https://www.facebook.com/events/2207007536255229/
02/10, em frente ao DCE - Estudantes da USP contra Bolsonaro: https://www.facebook.com/events/231194427745717/
REFERÊNCIAS:
[1]: https://goo.gl/yH8LmE
[2]: https://goo.gl/P4vCgd
[3]: https://goo.gl/RRXhde e https://goo.gl/sEk8Ge
[4]: https://goo.gl/QezwgP
[5]: https://goo.gl/9xxWtH
[6]: https://goo.gl/zxC1Mz
[7]: https://youtu.be/QJNy08VoLZs
[8]: https://goo.gl/nfaLj2
[9]: https://goo.gl/iEVtUf
Convidamos a trocarem suas fotos de capa pela imagem dessa publicação. Convidamos também as demais entidades da Escola Politécnica a assinarem essa carta, pois a maioria de seus estatutos prevê a defesa dos direitos humanos.
Sempre na luta,
Coletivo Politécnicas (R)existem
ASSINAM ESSA NOTA:
CAPS Poli USP
Frente PoliPride
Gestão CAEPirinha 2018 (gestão atual do CAEP Poli-USP)
DCE Livre da USP
Centro Acadêmico XI de Agosto
Poligen
Poli Negra
Gestão JaCAEP 2017
FUSM - Frente Universitária de Saúde Mental
Coletivo Feminista Enedina Alves Marques da EEL - USP
YesWeCAM (gestão 2018 do CAM Poli USP)
Coletivo Feminista Maria Bonita - História e Geografia USP
Gestão 2018 do CEC Poli USP
Olympus - Cheerleading USP
CMR Poli-USP
AEQ - Associação de Engenharia Química
Levante Popular da Juventude - SP
Gestão Ametista (atual gestão do CAEA - Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental POLI - USP)
CEE - Centro de Engenharia Elétrica e de Computação
CAEA - Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental POLI - USP
Gestão Eva 2018 (atual gestão do CEN - Centro de Engenharia Naval)
Coletivo Alice Canabrava