30/01/2026
Essa semana, duas mensagens chegaram no meu WhatsApp quase ao mesmo tempo.
Mensagens simples. Mas carregadas de algo que todo médico reconhece de longe: alívio, orgulho e começo de uma nova fase.
Arthur foi aprovado na residência de Neurocirurgia, na Santa Casa de São Paulo. Rafaela foi aprovada na residência de Neurologia Clínica, na Santa Casa de Porto Alegre (UFCSPA).
Eles não foram meus alunos formais em sala de aula. Mas caminharam por perto.
Conversamos em corredores, mensagens, áudios rápidos, dúvidas que apareciam fora de hora. Em algum momento, pude orientar, especialmente porque ambos tinham algo em comum: queriam a Neuro. E sabiam que esse caminho não aceita atalhos.
E isso me fez pensar.
A residência médica não é só uma prova vencida.
É um rito de passagem.
É o momento em que o médico deixa de apenas saber e começa, de fato, a ser.
Onde o conhecimento encontra o paciente real.
Onde a decisão tem consequência.
Onde o erro ensina mais do que qualquer slide.
Vivemos hoje um tempo estranho, em que muitos acreditam que a formação médica pode ser encurtada por cursos rápidos, pós-graduações vendidas como solução ou títulos sem prática suficiente.
Mas medicina não amadurece no modo acelerado.
Ela exige: tempo, repetição, supervisão, exposição à realidade, e humildade para aprender todos os dias.
A residência é dura. Cansa. Cobra. Silencia o ego. Mas é ali que o médico aprende a pensar, decidir e sustentar suas escolhas.
Ver Arthur e Rafaela seguindo esse caminho renova algo importante: a esperança na medicina bem feita.
Parabéns a vocês. Que a residência transforme, provoque e fortaleça.
A medicina precisa menos de atalhos e mais de gente disposta a atravessar o caminho inteiro.