25/02/2026
Partos requerem também preparo físico, psicológico e emocional de toda a equipe. Externamente, desenrola-se um trabalho silencioso e atento. Internamente, um turbilhão individual que mobiliza conhecimentos técnicos para que tudo ocorra de forma segura e para só se intervir se realmente necessário.
O que a equipe precisa fazer no momento do pico de dor? Disponibilizar analgesia? Será? Acelerar o processo?
É sobre estar presente, preparada, comprometida. Isso requer paciência e precisa ser mantido pelo tempo que durar o trabalho de parto. Estamos ali para dar suporte e garantir o acolhimento.
A ideia de acolher só não pode necessariamente pressupor fazer qualquer coisa para cessar a dor do outro, como se sofrimento fosse.
Mas isso não é acolher, é infantilizar.
É afastar da mulher a percepção da própria capacidade. É roubar seu protagonismo, oferecendo, em contrapartida, riscos.
O que a pessoa em trabalho de parto precisa de fato é do esforço conjunto dos que estão ao seu redor (acompanhantes e doulas inclusos aqui), que devem ser sensíveis às suas necessidades, momento a momento.
A mulher pode querer mudar de posição, se locomover, segurar a sua mão, vocalizar, se agarrar à sua roupa, torcê-lo com as mãos…reclamar. Ela vai repetidamente olhar nos seus olhos e o que ela precisa ver é a confiança de que está no caminho certo, de que é capaz e não está sozinha. Isso é acolher.
Dá trabalho.
Cansa!
Leva tempo.
Nosso precioso tempo.
Partos naturais, para além de mais seguros, requerem muito mais da equipe. Arrancam o couro.
Requerem PRESENÇA.
“Quem estará nas trincheiras ao teu lado? E isso importa? Mais do que a própria guerra”