01/09/2023
A busca pela psicologia e o amor pela profissão nasceu assim …
Aproveitando o início de setembro, o mês do florescer da primavera e mês do meu aniversário (eu gosto muito de comemorar a vida), para contar um pouco sobre a minha história com o transtorno alimentar. Minha relação emocional com a comida começou na infância, inicialmente com o chocolate, que me fazia companhia nos momentos de solidão e insegurança, além de ser bem gostoso na minha opinião. Sim, a comida tem muito mais significados que imaginamos, mas naquela época eu não sabia disso. Eu só sentia um pouco de paz com a ingestão de grande quantidade de chocolate. Os anos foram passando e este comportamento manteve-se pela adolescência e início da fase adulta, onde os primeiros sinais de prejuízos apareceram. De amigo e parceiro, o chocolate se tornou o meu vilão, trazendo prejuízos físicos (exames alterados, e muito desconforto com a minha imagem), sociais (desejo de me afastar das pessoas) e emocionais (a dor avassaladora do descontrole). Nesta fase iniciei o ciclo de dietas milagrosas que contribuíram para que não mais apenas o chocolate me trouxesse desconforto, e sim uma boa parte dos alimentos. Dietas e mais dietas, um tal de engorda e emagrece por mais de 15 anos. Eu passei a medir o meu valor como pessoa pelo tamanho do meu corpo, então quando eu me “considerava” dentro do peso desejado, eu conseguia trabalhar, me divertir e fazer amigos. Mas quando o descontrole chegava e o ciclo do comer transtornado entrava em ação, eu me sentia frustrada, incapaz e não merecedora de ser aceita e amada. Um transtorno alimentar não começa do dia para a noite. Ele chega devagar e toma um espaço tão grande na nossa vida, que parece que até tira o espaço do respirar. Com tudo isso, a comida passou a ser a minha PAZ e o meu TORMENTO.