Espaço Cultivando a prática criativa e transformadora de ritmos cotidianos.
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Essa é a extensão online do Espaço, o consultório de Psicologia que oferece os serviços de atendimento clínico, orientação de carreira e consultoria organizacional, em Uberaba-MG. Fique a vontade para entrar em contato, marcar uma consulta ou tirar qualquer dúvida. Mas principalmente, fique a vontade para puxar uma cadeira e sentar por aqui.

26/04/2022

"Agora sei que o cimento da colonização já não sufoca apenas as ruas

não silencia apenas os rios

mas também acimenta o nosso peito

mesmo com cuidado e cultivo, tem partes do nosso território onde a água já não atravessa, escorre

Sinto que, nessa parte, o corpo ingere sem aproveitar os nutrientes, passa direto

por isso inundamos, por isso nos vem as enchentes nos olhos

é preciso que a água entre, rache, quebre o cimento

mas dói, dói

andar com os tamancos de cimento pesam o pé, cansam as costas, mas já andamos há tantos séculos assim que pisar na terra causa estranhamento

Na angústia parece que a dor no peito vai explodir e minar a saída

Mas lembremos que o corpo não tem começo nem fim, então nos abracemos e recordemos que somos apenas afluentes, que assim como os sentimentos vieram, virão e tornarão a ir e vir,
em espiral infinita

Antes da pedra no sapato, antes da pedra no caminho,

precisamos reconhecer: há pedaços de cimento em nós, no nosso pensamento, imaginação, nos sonhos

Contra colonizar não é colocar mais cimento nas rachaduras de si, é festejar seu desabamento."

Geni Núñez

"olhe como uma única vela podeao mesmo tempodesafiar edefinira escuridão."anne frank
27/03/2022

"olhe como uma única vela pode
ao mesmo tempo
desafiar e
definir
a escuridão."

anne frank

ao mesmo tempo em que você se arruma pra ceia de natal hoje, em quase 6,5 bilhões de anos-luz, existe um superaglomerado...
30/12/2021

ao mesmo tempo em que você se arruma pra ceia de natal hoje, em quase 6,5 bilhões de anos-luz, existe um superaglomerado de galáxias com 1 bilhão de anos-luz de diâmetro no céu. não cabe na imaginação porque é, de fato, uma das maiores estruturas do Universo Observável. nele cerca de 830 galáxias visíveis, além das não visíveis, se unem por entre nuvens de gás e poeira cósmica, e pesam 10000 vezes mais que a Via Láctea.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
aqui 2021, um ano grande de encontros grandes com pessoas tão diferentes, tão coloridas, tão aparentemente opostas entre si, que talvez nunca se encontrariam no mundo lá fora.

se encontraram em mim, e internamente o nosso livro conjunto comportou uma teia intensa de nascimentos, mortes, países, amores, casas, cargos, famílias, dores, desejos e identidades. descontruções, reformas e criações delicadas. teia também entrelaçada com todo o invisível, matéria escura, que se esforça pra parir linguagem que dê conta dos paradoxos, rumo a uma vida mais autêntica. anos-luz, tempo e espaço, ao mesmo tempo.
danças doloridas e felizes, ao mesmo tempo. pessoas tão diferentes e tão iguais, ao mesmo tempo.
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nossa força se expande na coexistência.
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obrigada pelo ano, galáxias 💜✨ esse é só um recado de admiração solto no ar, obrigada pelo privilégio de seguirmos nessa viagem extraordinária.
júlia scalon manzan
[𝑖𝑙𝑢𝑠𝑡𝑟𝑎𝑐𝑎𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑜 𝐵𝑂𝑆𝑆 𝐺𝑟𝑒𝑎𝑡 𝑊𝑎𝑙𝑙 𝑒 𝑜𝑠 𝑠𝑒𝑢𝑠 𝑒𝑠𝑝𝑎𝑐𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑠𝑚𝑖𝑐𝑜𝑠, 𝑆𝑐𝑖𝑒𝑛𝑐𝑒 𝑃ℎ𝑜𝑡𝑜 𝐿𝑖𝑏𝑟𝑎𝑟𝑦/𝐶𝑜𝑟𝑏𝑖𝑠]

20/04/2021

"Não queremos ir a lugar nenhum. Queremos, ao menos uma vez, chegar ao lugar em que já estamos."
M. Heidegger

No fim de um ano que testou a sensibilidade de tantos jeitos diferentes, só respirar. Desacelerar o que, apesar de no me...
31/12/2020

No fim de um ano que testou a sensibilidade de tantos jeitos diferentes, só respirar. Desacelerar o que, apesar de no mesmo lugar, não ficou parado nenhum minuto. Dessa vez, menos palavras, mas um momento pra ajudar a fazer silêncio e ouvir o barulho da cachoeira que caiu no nosso corpo coletivo. Uma expiração para soltar o fôlego que seguramos tanto tempo pra conseguir mergulhar por dentro. Ventilar.
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Que a gente se encontre em um fluxo de cuidado e lucidez. Que a gente se abrace entendendo mais o quanto nos afetamos mesmo sem se encostar. Que a gente se responsabilize, e que tenhamos energia pra participar de um mundo vivo que só existe em conjunto. Que a gente intencione mais amor na ação sutil e na energética.
Que a gente entenda o tempo de saúde das coisas, as urgências e os processos. Quando agir e quando esperar.
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E talvez, no meio desse oxigenar, que nosso corpo também possa sentir a água da onda que passou por dentro. E, devagar, que deixe ela sair, pingar na terra, circular e reacender, no transbordar, o fogo colorido de vida.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Que a gente se apaixone vigorosa e gentilmente
por olhar
pra dentro
e
uns pelos outros.
júlia scalon manzan

[Conto de natal]⠀⠀⠀⠀⠀⠀Era Clarice. Usava vestidos longos e acobreados, e uma trança desajeitada no meio do cabelo solto....
23/12/2020

[Conto de natal]
⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Era Clarice. Usava vestidos longos e acobreados, e uma trança desajeitada no meio do cabelo solto. Vivia em uma cabana de dois cômodos no meio do pântano e fazia compotas de frutas para vender no mercado da cidade aos sábados. Gostava do barulho das suas botas no chão de pedra da casa e usava uma fragrância de uma planta sem nome, que cintilava nas noites de Maio e atraia pardais de peito azul.
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Era Álida. Espiã de uma organização secreta, figura sóbria e misteriosa, que só aparecia, entre as sombras, para resolver jogos intelectuais. Andava com um graveto de araucária pintado de prata no bolso, e tinha diálogos com uma riqueza de vocabulário cirúrgica. No secreto de seu apartamento, comia qualquer refeição com um pedaço de queijo do lado e ouvia música indiana antes de dormir.
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Era véspera de natal, e ela já tinha sido Clarice e Álida. Brincando nos primeiros raios de luz que acordavam a sala, dourada pelo atravessamento do sol nos enfeites da árvore, ela ensaiava no corpo, no nome e na profissão um outro desenho para a folha de sua mente. Mergulhava, no auge dos seus 7 anos, em possibilidades de vida. Narrava suas angústias sem querer e experimentava o prazer de se comunicar com a liberdade. Dançava com o simbólico e experimentava na pele as percepções de não só fazer-de-conta, mas de sentir literal o arrepio de mil emoções fluírem pelos sentidos.
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"Hora de guardar os brinquedos" - dizia a realidade, lembrando do tempo que conta minutos e das tarefas que não param de dizer o que precisam.
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Guardou. Mas o que cresceu por dentro ficou piscando em cores alternadas pela vida toda.
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"Lembrar de brincar" - ela se falava 30 anos depois, pensando na potência das invenções, enquanto decorava a casa de vermelho brilhante. Fantasia, teste, degustação, sonho de outros mundos possíveis. Beleza do quarto que se colore pelo atravessamento de luzes diferentes.
⠀⠀⠀⠀
Pensava, ao mesmo tempo, na realidade que, convincente demais pela brincadeira coletiva, congelava, inóspita. Calava os olhos pra fato pulsante: podia se tornar qualquer outra coisa. Por dentro, ela sussurrava:

"Lembrar da brincadeira..." - Lembrar dos palcos. Do espaço vazio antes de qualquer enfeite.
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Ser roteirista pra resgatar e parir na vida real não só a escrita mas a magia da folha em branco. Paria, enquanto imaginava, Clarice e sua sensibilidade e Álida e sua inteligência.
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Era todas.
Júlia Scalon Manzan

[bolha da vida]⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Estendida no sol, na borda de uma piscina, uma de suas mãos brincava de se emergir na água fresca...
17/09/2020

[bolha da vida]
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Estendida no sol, na borda de uma piscina, uma de suas mãos brincava de se emergir na água fresca. Pequenas e grandes bolhas se formavam a cada movimento de seus dedos, e sumiam como se nunca tivessem existido.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Esse existir e desaparecer parecia tão semelhante com a vida. Num estalo, sem alarde, a bolha surge e some, leve e fina. No sopro de um fazedor de bolhas de sabão, ela reluz colorida, refletindo o mundo em bola, e some quase sem barulho, como magia.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Um diálogo lento e agudo começava consigo mesma:
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
- Pra que serve a bolha? Ela surgiu do movimento despretensioso de uma mão na água em um dia de calor?
- Surgiu da boca de uma criança brincando despreocupada em um dia de verão?
- Surgiu sem querer, surgiu pelo movimento. Sumiu sem querer, sumiu pelo movimento.
- A bolha vira água ou vira ar?
- A bolha vira? Ou só some, deixando de ser um envolto de ar dividindo, por uma película, o resto e o dentro?
- A película some e tudo se mistura?
- Mas qual a finalidade de existir essa separação simples, frágil e breve do tudo? Pra que serve uma bolha?
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
No seu casco límpido e irisado, ela reflete o mundo. No seu casco límpido e irisado ela é o mundo. Versão única de uma fricção única. Esforço intelectual pra raspar a ditadura das coisas terem que servir, terem que ser servas.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Em breves minutos de uma densidade interna de horas, sua mão saiu da água, e com um respiro profundo, afastando o borbulhar dos pensamentos, seu corpo se esticou. Se levantou devagar pra sair do sol, quando percebeu.
O sol tinha ficado na sua pele.
júlia scalon manzan

[quem apaga a luz do poste]⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀sentados no banco de concreto verde desbotado, nenhuma palavra voava no ar. o cheiro...
24/07/2020

[quem apaga a luz do poste]
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sentados no banco de concreto verde desbotado, nenhuma palavra voava no ar. o cheiro da manhã, ao contrário, já nascia vivo e falante, anunciando invisível o início da fraqueza da noite. o começo do pão e o frescor do orvalho esticavam o corpo com o sol.
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o céu também parecia desbotado. um rosa azulado fraco, que parecia estar mais no começo do que no fim, como o banco. a hora que se tem menos certeza da existência do mundo, diria calvino.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
partilhavam a presença enquanto olhavam fixos para a sequência de dúzia de postes acesos na calçada em frente.
piscaram. 3 postes se apagaram.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
- você viu?
- não, perdi. e você?
- vi os 4 que sobraram. mudou de novo e 13 minutos mais tarde.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
levantaram, quietos, enquanto aleatoriamente a linha de luz se apagava, coordenada pela sensibilidade das células do poste. desligavam, inteligentes, quando sentiam que o dia já recuperava o brilho próprio. sabiam da ciência, mas brincavam, toda manhã - antes de dormir ou de acordar - de observar a falta de padrão e a quase habilidade de intuição de adivinhar o primeiro a ser soprado da linha.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
andaram juntos até a divisão de duas ruas. se separaram.
"vou te mandar um sonho" ela pensou alto "dessa vez vai chegar daqui a 4 dias".
júlia scalon manzan @ Espaço

"O cotidiano é um tentador e tranquilizante facilitador da nossa constante fuga de nós mesmos. É eficaz em disfarçar nos...
16/06/2020

"O cotidiano é um tentador e tranquilizante facilitador da nossa constante fuga de nós mesmos.

É eficaz em disfarçar nossa responsabilidade estrutural, pois faz o Dasein acreditar que já é algo, à semelhança das coisas que o rodeiam, e que já tem o próprio ser determinado.

Se não temos nosso ser garantido, temos que cuidar dele, lidar com ele, incessantemente.

Delegamos nossa responsabilidade de ser ao mundo, pois ter-que-ser, sempre e a cada vez, depende (...) do campo das decisões.

Paradoxalmente, vivemos tentando escapar daquilo que é nossa condição.

A voz da consciência (...) é um chamado para se assumir a culpa e o cuidado que se é.

O apelo da consciência existencialmente entendido comprova: o estranhamento persegue o Dasein e ameaça sua esquecida perda de si mesmo."

trechos de "Contemplações Fenomenológicas entre Arte e Clínica - Maíra Mendes"

pés firmes, agachar devagar, projetar os braços e num pulo vigoroso, voar pairar e reconhecerno espaço vaziocomo consegu...
08/05/2020

pés firmes, agachar devagar, projetar os braços e num pulo vigoroso, voar

pairar e reconhecer
no espaço vazio
como consegue caber tudo? como consegue sumir a ideia do que tem fora?

que coisa louca viver
ter pele que te embrulha e te abre
ter pequenos fios em cima de um olho que nada em profundidades
ter aberturas que sentem o ar vibrar e criam música
ter um tapete sensível que encosta, morde e descobre o gosto que as coisas são por dentro
ter um moinho de vento que capta o invisível e sabe dizer quando ele é doce ou amadeirado

como consegue caber tudo?
quantas perguntas se torcem
tentando dar conta do encantamento
do supetão
da angústia
da fome e da náusea

tudo de longe parece redondo?
como alguma coisa decide sua própria cor?
se eu posso ver a estrela no passado, ela pode me ver no futuro?

a resposta da lógica se encolhe
enquanto se agiganta, sem fala, a sensação de lembrar
que esse aí
é o seu teto
em 360°.
júlia scalon manzan

"Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era a...
21/04/2020

"Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom – enquanto estava chorando, parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as mais antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era ele mesmo. Diante dele, as pessoas, as coisas, perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutúm – se esvaziavam, numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim mesmo se achava diferente de todos. Ao vago, dava a mesma idéia de uma vez, em que, muito pequeno, tinha dormido de dia, fora de seu costume – e quando acordou, sentiu o existir do mundo em hora estranha, e perguntou assustado: – ‘Uai, Mãe, hoje já é amanhã?!’ ”.

João Guimarães Rosa

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Uberaba, MG
38010-070

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