03/11/2025
Ele me procurou para falar de sua dor — mas ele também me curou um pouco.
Na segunda consulta após me conhecer e saber de quem era filha, meu paciente me trouxe um presente. Abriu um envelope, tirou algumas fotos e disse:
“Essas fotos foram na Associação. Seu pai foi o presidente que mais aproximou os funcionários da manutenção sem distinção, neste espaço que antes só era frequentado por engenheiros. Ele era muito carismático e mas muito exigente.
Foi uma época muito boa. Ficamos tristes quando soubemos da partida dele.”
Por um instante, o consultório ficou em silêncio.
O mesmo silêncio que há tempos me acompanha — aquele que vem quando a saudade não cabe dentro da pele... até recuperar o fôlego.
Ninguém nos ensina a perder.
Ninguém avisa que quando alguém vai embora, leva junto um pedaço da gente que não volta mais.
Eu tenho aprendido com Jesus que atravessou um deserto — quarenta dias sem sinal divino algum e seguiu.
E que às vezes seguir em frente é isso: continuar fazendo o bem, mesmo quando as coisas fazem menos sentido.
Continuar cuidando, mesmo sem saber de onde vem a força.
E naquele dia, entre exames e receitas, lá estava ele — meu pai, de alguma maneira me dizendo para continuar.
Agradeci emocionada.
02.11.25