02/19/2026
...Naquela época, professora de ballet tinha que ser carrasca, gritava com as alunas por tudo... (será que ainda é assim hoje em dia??)
No teu caso, Manuzinha, ela gritou contigo na frente das tuas alunas e ali, depois de 11 anos de broncas e gritos, foi a gota d'água pra você.
Você foi apoiada na sua decisão, pela sua mãe e pelo namorado da época (que mais tarde, veja só! Admitiu que tinha ciúmes de te ver dançando em par com um bailarino...) mas pouco falou-se depois em mudar de academia pra que você continuasse em busca do teu sonho...
É, Manuzinha... Você cresceu ouvindo que "você não consegue" pra tanta coisa, que depois daquela briga, não ousou sequer arriscar recomeçar sua história em outra classe, com outras professoras, com outras bailarinas...
Pra você ver como que o que a gente ouve durante a infância, não f**a na infância.
E sim, esse é um arrependimento que você leva pra vida: ter parado de dançar. Ter abandonado uma paixão, por medo de "nunca conseguir" ser boa o suficiente.
Mas você é tão p0rr3ta, é tão sinixtra, é tão leonina com ascendentente em leão, que você não só recomeçou a vida do zero num outro país, como hoje é especialista em ajudar outros pais a evitar que façam exatamente o que fizeram contigo. Porque é assim mesmo, os pais da nossa geração erraram, tentando acertar. Eles deram o melhor que puderam.
E a gente também vai errar. Ninguém erra de propósito. Ninguém acorda decidido a machucar os filhos. Mas se naquela época, nossos pais não tinham conhecimento nem recursos pra lidar com os desafios dos filhos, hoje, felizmente, a ciência avançou o suficiente pra esclarecer muita coisa.
E eu sou grata, Manuzinha do passado, por tudo o que você viveu. O que você é hoje e todos os erros que cometi alguns anos atrás com a minha propria filha, me ajudaram nessa caminhada e me fizeram evoluir, não só como profissional, mas principalmente como mãe e acima de tudo, como ser humano.
A Manu mulher de hoje, muito mais segura de si e que acolhe sua imperfeição sem medo de "não conseguir" se superar, abraça a Manuzinha adolescente dos anos 90.