26/11/2024
Eu estava em um congresso recentemente e o tema da IA foi amplamente discutido.
Muitos médicos acreditam que com o desenvolvimento da IA muitos de nós perderemos nossos postos de trabalho direta ou indiretamente.
E eu fiz a seguinte reflexão:
Os médicos do passado eram grandes curiosos, pesquisadores da natureza humana e da relação do homem com o mundo ao seu redor. A curiosidade levou a inúmeras perguntas e consequentemente nos fez encontrar muitas respostas: fisiologia, fisiopatologia, anatomia e por aí vai…
Passamos a olhar corpos humanos como máquinas complexas, sistemas, órgãos, a medicina se dividiu em áreas e subáreas, viramos especialistas de partes do todo e perdemos a habilidade de olhar o todo.
Perdemos a curiosidade por conhecer aquele que está na nossa frente, que apesar de parecido, é diferente de todos os demais.
Perdemos a nossa sensibilidade de sentir o outro para além das palavras, perceber o que olhos marejados e soluços querem dizer. Responder com expressões faciais, gestos de carinho, orientações de vida que não estão nos livros de medicina.
E é justamente isso o que a IA nunca vai aprender. Porque não está escrito em nenhuma fonte. Porque não está no guideline, não foi o padrão criado pra todo mundo.
É aquilo que mora no mistério do encontro de duas almas o que nos torna especialmente médicos. Médico de seres complexos, únicos, que não se encaixam em nenhuma forma e formam, cada um, individualmente, um grande mapa com caminhos, atalhos e ruas personalizadas. E cabe a nós termos a curiosidade e o interesse em entender como funciona cada um e aproveitar toda a tecnologia para colocar, mais do que nunca, a nossa humanidade em prática.
A tecnologia nos poupa tempo e nos convida a avançar para dentro da magia que é SER HUMANO. É um chamado pra olhar para dentro de SI e para dentro do OUTRO.
❤️