11/02/2026
Hoje tirei um tempo pra mim.
Na verdade, sempre tiro⊠mas hoje foi diferente.
Estou no 3Âș dia do meu ciclo e, no meio da tarde, fui ler sentada numa cadeira de balanço â dessas que imediatamente me fazem lembrar do meu avĂŽ, sempre ali, se balançando. O jardim estava lindo, a chuva caĂa leve lĂĄ fora, eu com um cafezinho nas mĂŁos e um cobertorzinho nas pernas. Um momento meio âvovĂŽâ, eu sei⊠mas tĂŁo acolhedor, tĂŁo gostoso.
Talvez eu tenha sentido a presença dos meus avós.
E sabe que, quase sempre, quando paro para descansar, a mente não para? Mas ali, naquele instante, por alguns breves momentos, eu simplesmente estive presente. E como é bom sentir isso. São tantas coisas na cabeça, tanta informação o tempo todo, que às vezes me sinto esgotada.
Uma coisa me deixou especialmente feliz esse mĂȘs: minha menstruação veio tranquila. Sem cĂłlicas, sem dor de cabeça. Leve. Acho que essa Ă© a palavra.
Confesso que fazia meses â talvez anos â que eu nĂŁo sentia meu ciclo tĂŁo suave assim.
De uns anos pra cå, tenho percebido que meu corpo conversa comigo através do ciclo. Não sei se sempre foi assim e eu não prestava atenção, ou se isso começou agora, nessa fase em que ainda tenho alguns anos de vida fértil pela frente. Cada dia é uma descoberta nova.
Tenho falado mais sobre isso, com homens e mulheres. E fico me perguntando: por que isso sempre foi um tabu?
Me alegra ver esse movimento de mulheres estudando, compartilhando, falando sobre ser mulher, sobre o nosso ciclo. Somos seres incrĂveis. Podemos criar uma vida dentro da gente.
E talvez tudo comece assim: ouvindo mais o corpo, respeitando seus tempos⊠e se permitindo balançar um pouco, em silĂȘncio, quando a vida pede pausa.
Com amorâŠ
Fabbiane