26/01/2026
cansada desta normose
doentia do "está tudo bem."
desta anestesia coletiva
que disfarça dor com emoji.
mascara solidão com filtros.
chama coragem de fraqueza
e presença de drama.
vivemos tempos estranhos.
onde o riso é máscara.
o silêncio é ameaça
e a pausa, quase pecado.
ninguém quer ouvir o que dói.
quem SENTE demais
vira "intenso, cansativo, louco, difícil de lidar."
as pessoas (já) não se escutam.
falam. respondem. opinam —
mas raramente ouvem.
dizem "força" sem olhar nos olhos,
abraçam com o corpo,
mas não com a alma.
cada um preso no seu pequeno ruído,
com medo de se demorar no silêncio do outro.
vivemos cercados de vozes,
mas famintos de escuta.
de mãos.
de presença.
de VERDADE.
ninguém tem tempo —
nem para o outro,
nem para si.
fingimos que está tudo bem
desaprendemos a sustentar o que não está.
é mais fácil sorrir
do que admitir o cansaço,
as rachaduras,
o vazio.
há um vácuo de PRESENÇA
entre as vozes que se cruzam sem se tocar.
um eco de "tá tudo bem"
dito só para não incomodar.
a grande doença talvez seja essa —
a pressa.
a fuga do sentir.
a incapacidade de acolher a dor —
a do outro, e a nossa.
porque a alma não quer soluções.
quer respiro.
quer verdade.
quer ESCUTA.
e eu não quero o "tudo bem" automático.
quero o REAL
o que respira, o que treme, o que vive.
quero conversas que desarrumam,
olhares que ficam,
silêncios que abraçam.
porque a alma não se cura no disfarce.
cura-se na verdade.
no “hoje não estou bem”,
dito sem culpa,
mas com humanidade.
talvez o (novo) milagre seja esse
voltar a sentir.
voltar a estar.
voltar a ouvir.
e quando perguntarem,
diz, com calma:
“não. hoje não está tudo bem.”
(e deixa que isso também seja AMOR.)
allexandra isabel ▪︎ by.ale ®
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