08/01/2023
CULTURA GERAL
Sobre o Covid e a nova variante XBB:
XBB.1.5 é uma "nova" subvariante (é "sub" e não uma nova variante) do SARS-Cov2, ela é derivada da Omicron, que segue sendo a variante dominante(sim, esta é que é a variante, que é a mesma "de maior circulação" desde Dezembro de 2021).
Esta subvariante é derivada de uma outra subvariante da Omicron (a BA.2) e já é considerada variante de interesse (mas ainda não variante de preocupação) pela OMS por apresentar características que lhe garantem “maior transmissibilidade” do que qualquer outra variante até então estudada (estudos mostram que a sua capacidade de evadir o sistema imune e consequentemente infectar o hospedeiro é a maior até aqui vista na Covid-19, mas não necessariamente a sua capacidade de provocar doença grave ou de matar, ou seja, já sabemos que é a mais transmissível mas ainda não sabemos se é mais letal ou “mortal”)
Ela é considerada subvariante e não uma nova variante porque as mutações que apresenta não são muitas “o suficiente” para lhe destacar da Omicron (ou seja, elas são bastante semelhantes), e isto em parte há-de se dever a fase da Pandemia em que esta variante apareceu (fora do ciclo na maior parte do Mundo, ou fora da onda, termos discutidos em textos anteriores).
A mutação de um vírus está directamente relacionada a multiplicação do mesmo (é uma consequência da do processo de replicação viral, como também já foi discutido em textos anteriores), o que significa que quanto maior for o número de casos activos, em tese, maior é a probalidade destas mutações ocorrerem, daí a importância da Prevenção (para podermos evitar novas variantes e tentar pôr fim a esta Pandemia, o vírus deve circular pouco, e infectar cada vez menos pessoas).
Pensa-se que as vacinas (no caso os boosters ou reforços) em circulação cubram esta subvariante, por ser derivada da BA.2 e porque estudos feitos mostraram que estes boosters que foram feitos a quando do surgimento das subvariantes BA.4 e BA.5 (estas foram as últimas subvariantes da Omicron que foram de interesse; atenção que aqui não estamos a considerar a BQ.1 e BQ.1.1 que foram as últimas variantes predominantes no geral e esta última ainda tem algum domínio, porque em geral não provocaram alarido por causarem doença leve à moderada) garantem protecção também contra a BA.2 que é a “mãe” da XBB.1.5 (a Omicron seria no caso a “avó” da XBB.1.5 😅😅😅).
Internacionalmente, recomenda-se a todos os que se vacinaram há mais de 6 meses (porque a imunidade conferida por vacinas diminui com o tempo), todos que se enquadrem nos grupos de risco para Covid-19 (diabéticos, maiores de 60 anos, hipertensos e cardiopatas no geral, asmáticos e portadores de outras doenças respiratórias, fumadores, obesos mórbidos, gestantes e puérperas, imunocomprometidos e portadores de outras doenças crónicas, etc) que não tenham recebido o booster/reforço para a BA.4/BA.5 (que já se sabe que também garante proteção contra a XBB.1.5), que sejam imediatamente imunizados com este booster específico (não com aquelas primeiras vacinas 😏😏😏).
Estudos mostram que ter tido Covid-19 no passado não oferece protecção contra esta subvariante, ou seja, ela herdou da Omicron a capacidade de reinfectar indivíduos previamente infectados (aquela propriedade de evadir ou “esquivar” o sistema imune que tanto preocupa a OMS e nós no geral), daí que é fundamental voltarmos a adoptar medidas preventivas (lavar as mãos regularmente, usar máscaras em lugares fechados e sobretudo evitar aglomerados desnecessários).
RESUMINDO:
1 - A XBB.1.5 não é uma nova variante da Covid-19, é uma subvariante da Omicron.
2 - É uma variante de interesse da OMS mas ainda não se tornou variante de preocupação.
3- Preocupa-nos porque é até então a variação do vírus (não confundir com variante) com maior potencial de transmissibilidade.
4 - Não há estudos que mostram que ela mate mais do que as outras variantes (nem há indícios disso).
5 - As vacinas existentes garantem protecção contra esta subvariante.
6 - A prevenção ainda é a melhor Estratégia individual contra a Covid-19.
7 - Os sintomas em geral até então, são os mesmos que os da Omicron (esse texto em circulação que visa só alarmar não tem qualquer base científica, aliás, não acreditem em fontes não verificáveis, textos de informação devem sempre vir assinados e ser e fonte credível).
E por fim, lembrem que quanto menos o vírus circular, menos ele há-de mutar, e mais cedo passaremos para novas capítulos da história da humanidade.
Abraços
08 de Janeiro de 2023
Paulo S. Gudo
Médico Moçambicano
Especialista em Cirurgia Geral
Vice-Presidente da Associação Médica de Moçambique (2014-2023)