04/03/2026
A sociedade ensinou-nos, quase sem nos apercebermos, a acreditar que não precisamos de ninguém.
Que a força vive apenas dentro de nós.
Que somos capazes de carregar sozinhos os pensamentos, as crenças e os dias que pesam no peito.
Mas será mesmo assim?
Conseguirá o ser humano atravessar a vida completamente só?
Ou será que, no silêncio mais profundo da alma, existe há muito tempo um pedido de ajuda que ninguém escuta?
Ao caminhar pela vida e ao observar quem se cruza no meu caminho, há algo que se revela com clareza:
tantas pessoas vivem em piloto automático.
Caminham como viajantes adormecidos no meio da própria existência.
Corpos que se movem… corações que aguardam ser despertados.
Olhos presos ao brilho de um ecrã,
dedos que deslizam num movimento infinito, como se, algures ali, estivesse a resposta que procuram.
Mas quase nada daquilo é urgente.
Quase nada daquilo precisa realmente de ser visto agora.
E enquanto o dedo continua a subir e a descer, a vida passa.
Passam as paisagens que não são contempladas.
Passam os rostos que poderiam tornar-se encontros.
Passam os pensamentos que pediam apenas um momento de silêncio para se organizarem.
E passa também aquele gesto simples que tantas vezes adiamos:
um telefonema…
uma mensagem…
um pequeno sinal de presença.
Algo tão simples como dizer:
“Hoje lembrei-me de ti. Está tudo bem contigo?”
Porque nunca sabemos o peso que o outro carrega em silêncio.
Nunca sabemos que batalha invisível está a ser travada no coração de alguém.
E quem sabe… talvez sejamos nós o sinal que essa pessoa pediu em oração.
No meio deste mundo apressado,
deste ruído constante disfarçado de normalidade, há uma pergunta que merece ser escutada com o coração:
Sabes quem é o teu porto seguro?
Quem é a pessoa que te sustém quando o mundo parece desmoronar?
Quem é a tua casa quando tudo lá fora se torna tempestade?
Se ainda não sabes… respira.
Não desanimes.
A vida tem caminhos misteriosos e encontros que chegam no momento certo.
Às vezes, tudo o que precisamos é de levantar a cabeça… e pousar o telemóvel.
Porque a vida está aqui, à tua espera.
Vai.
Vive.
Sente.
Enraíza-te na terra que te sustém
e arrisca abrir as asas.