14/02/2026
Gosto de pensar que não escolhi a psicoterapia psicodinâmica por acaso. Talvez tenha sido ela que me escolheu a mim.
Nasci em 1990, no Porto — cidade intensa e cheia de carácter. Cresci a observar pessoas e sempre me intrigou aquilo que não se vê de imediato: as entrelinhas, os padrões que se repetem, as emoções que insistem em aparecer mesmo quando tentamos ignorá-las.
Hoje, no meu consultório na Maia, encontro-me com adultos e casais que chegam com perguntas, dores, conflitos ou simplesmente com a sensação de que algo não está a fluir. E o que faço não é dar conselhos rápidos nem soluções mágicas. O que faço é construir, com cada pessoa ou casal, um espaço seguro onde possamos pensar juntos.
Acredito profundamente que a relação terapêutica é a base de qualquer processo psicoterapêutico. É no vínculo, na confiança e na autenticidade do encontro que algo novo pode acontecer. É ali que os padrões podem ser compreendidos. Que as repetições ganham significado. Que o que parecia “sempre igual” começa, finalmente, a fazer sentido.
Trabalho a partir de uma abordagem psicodinâmica porque acredito que muito do que nos move não é totalmente consciente. O inconsciente manifesta-se nas escolhas que repetimos, nas relações que construímos, nos medos que não sabemos explicar e até nos sintomas que nos surpreendem. Muitas vezes, as relações que vivemos hoje — connosco e com os outros — têm raízes nas nossas primeiras relações. A forma como aprendemos a amar, a confiar, a defender-nos ou afastar-nos começou muito antes de termos palavras para o explicar.
O inconsciente é uma parte viva da nossa história que pede para ser escutada e pensada. Quando o inconsciente encontra palavras, algo se transforma. Quando aquilo que estava apenas a ser sentido passa a ser compreendido, ganhamos liberdade para escolher de forma diferente.
Tanto no processo individual como no de casal, o meu foco é o mesmo: criar um espaço onde cada pessoa se sinta verdadeiramente vista, escutada e pensada.
Mais do que técnicas, levo comigo presença. Mais do que respostas, levo perguntas. E, acima de tudo, levo a convicção de que é na relação — e na coragem de olhar para dentro — que começa a mudança.