04/03/2026
Há um luto de que quase não se fala.
O luto pela pessoa que poderíamos ter sido.
Pelos caminhos que não seguimos.
Pelo curso que não escolhemos.
Pela cidade onde nunca vivemos.
Pela relação que não arriscámos.
Pelo sonho que ficou na gaveta porque “não era o momento certo”.
Crescer implica escolher.
E escolher implica renunciar.
Mas ninguém nos prepara para a saudade das versões que não chegaram a existir.
Às vezes ela aparece de forma silenciosa.
Num reencontro de amigos.
Num scroll distraído nas redes sociais.
Numa conversa em que alguém conta a vida que tu imaginaste para ti.
E de repente há um aperto.
Não é inveja.
Não é arrependimento puro.
É luto.
Luto por possibilidades.
Por futuros alternativos.
Por partes de nós que ficaram por explorar.
E sabes o mais humano disto tudo?
Podemos amar a vida que temos… e ainda assim sentir tristeza pelo que não vivemos.
As duas coisas podem coexistir.
Reconhecer este luto não significa que fizeste escolhas erradas.
Significa apenas que és consciente da complexidade de existir.
Nenhuma vida contém todas as versões de nós.
Mas cada escolha constrói a pessoa que somos hoje.
Talvez maturidade emocional também seja isto.
Olhar para o que não foi… agradecer-lhe o lugar na nossa história… e continuar a caminhar sem culpa.
Porque a versão que não foste ajudou a moldar a que és.
E essa merece respeito.