01/26/2026
A CAMINHADA FOI FEITA. E AGORA?
Opinião | Calby Paiva
Foi emocionante assistir ao encerramento da caminhada por justiça e liberdade. Mesmo sob chuva intensa — com trovões, relâmpagos e até a ocorrência de um raio, que deixou vítimas leves — o povo não desanimou. Seguiu firme até o local marcado para o desfecho do ato, que já se encontrava lotado por cidadãos brasileiros encharcados, porém orgulhosos por participarem de um momento que certamente marcará a história recente do Brasil.
Mas, inevitavelmente, surge a pergunta: e agora? Qual é o próximo passo?
Nas redes sociais, vi um blogueiro militante do PT fazer uma comparação provocativa entre Jair Bolsonaro, na manifestação da Avenida Paulista em 2021 — quando desafiou Alexandre de Moraes — e o deputado Nikolas Ferreira, agora, em posição semelhante. O tom era de deboche. O militante afirmava que Bolsonaro “já está preso” e insinuava que Nikolas também “chegará à sua vez”.
Esse tipo de discurso revela mais do que ironia. Demonstra a segurança de quem acredita estar protegido por um sistema fechado. Afinal, os ministros do STF não dependem do voto popular. São vitalícios em seus cargos, blindados por suas togas e pelo poder concentrado em suas canetas.
O próprio Nikolas Ferreira reconheceu, com lucidez, que a caminhada não era uma “bala de prata” capaz de resolver tudo de forma imediata. O sistema que hoje avança sobre o Brasil — impondo um regime de exceção disfarçado de legalidade e travestido de “defesa da democracia” — vem sendo preparado há décadas. São mais de quarenta anos de ocupação ideológica de universidades, meios de comunicação e estruturas do Estado, formando gerações de militantes dispostos a tudo.
Esse projeto foi sustentado por volumes gigantescos de recursos públicos desviados. E os mesmos grupos que se beneficiaram desses desvios são os que hoje detêm o poder de silenciar, perseguir e eliminar adversários políticos por meio de estruturas policiais e judiciais sob sua influência.
Quando os órgãos de controle de uma nação tornam-se submissos a uma mesma engrenagem de poder, o socorro precisa vir de fora — da atuação de instâncias e mecanismos internacionais capazes de observar, registrar e agir diante de violações institucionais graves.
Mas isso não pode ser feito de qualquer maneira. Precisa seguir os caminhos corretos, pelos meios legais e legítimos, com responsabilidade jurídica e respaldo popular. Nenhuma iniciativa internacional é eficaz sem o apoio de uma população consciente, que clama por justiça e está disposta a assinar embaixo.
Em geral, os políticos que tentam avançar nesse sentido encontram limites impostos por partidos, alianças e conchavos que visam à preservação do poder e de privilégios. Nem tudo o que um deputado ou senador aprova reflete sua real convicção pessoal, mas sim a pressão de um sistema que o constrange a obedecer. É isso que explica o silêncio da maioria: parlamentares que pouco discursam, não se posicionam, mas foram colocados ali para votar — e cujos votos têm o mesmo peso na aprovação de leis absurdas ou na eleição de lideranças legislativas que servem para bloquear tudo o que ameaça o sistema dominante.
Por isso, manifestações internas em países que sofrem sob domínios tirânicos precisam ser fortalecidas por ações externas, antes que o poder concentrado alcance força total. Foi exatamente isso que vimos recentemente no Irã, onde o líder supremo ordenou que forças militares do regime assassinassem milhares de manifestantes, acusados de “protestar contra Deus” e, por isso, considerados dignos de eliminação sem piedade.
Regimes de exceção — sejam eles de natureza teocrática islâmica ou socialista-comunista — precisam ser evitados a todo custo. Não fazer nada, ou fazer o insuficiente, não resolve.
A união do povo precisa ser muito maior do que aquela expressa em uma única caminhada. Deve haver espaço para todos: de diferentes camadas sociais, origens e credos, com o apoio de juristas competentes e de uma representação internacional igualmente preparada.
É exatamente isso que estamos fazendo por meio da INICIATIVA POPULAR A FAVOR DO BRASIL.
Toda manifestação nacional tem seu valor. Cada ato público é útil, necessário e serve, inclusive, para demonstrar ao mundo que existe um povo exigindo soluções reais. No entanto, manifestações isoladas não produzem efeitos jurídicos no plano internacional.
Talvez a chamada “bala de prata”, capaz de oferecer a retaguarda necessária aos juristas que estão reunindo provas, documentos e evidências dos abusos cometidos no Brasil, seja algo simples — porém poderoso: a sua assinatura consciente e responsável.
Ela não é apenas simbólica.
É registro. É prova. É voz formalizada.
E pode ser exatamente o instrumento que faltava para que a verdade atravesse fronteiras — e para que o socorro venha de fora, com o apoio de dentro.
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