01/03/2026
O ensino superior vai ser Kodak ou Netflix?
O futuro é agora !
A Kodak inventou a câmara digital, mas ignorou-a porque tinha medo de destruir o próprio modelo de negócio. Preferiu proteger o presente e perdeu o futuro.
A Netflix começou a enviar DVDs pelo correio. Quando percebeu que o streaming era o caminho, mudou radicalmente. Adaptou-se antes de ser obrigada.
Ontem assisti a uma excelente e inquietante mesa redonda com Cláudia Sarrico, Pedro Santa Clara, moderada por Helena Garrido. A discussão foi clara num ponto: o modelo atual do ensino superior está sob pressão real.
Não vale a pena querer parar a avalanche com um guarda-chuva. O mundo mudou. A tecnologia acelerou. A inteligência artificial já personaliza a aprendizagem. As empresas valorizam competências práticas, pensamento crítico e capacidade de adaptação. A informação deixou de estar confinada às salas de aula.
Em Portugal, o projeto 42 foi uma das primeiras grandes pedradas no charco. Um modelo sem aulas tradicionais, baseado em aprendizagem entre pares e projetos práticos. Pode não ser a solução definitiva, mas este projeto, já provou que é possível fazer diferente e o mercado respondeu de forma assertiva no lado dos alunos e dos empregadores que esta mudança está alinhada com as necessidade do sec XXI.
Ainda não existe uma fórmula perfeita ao estilo Netflix para a educação. O modelo ideal ainda está a ser construído. Mas é evidente que insistir apenas na lógica tradicional, como fez a Kodak, não resolve.
Quando vamos refletir seriamente sobre isto?
Quando vamos implementar mudanças estruturais em vez de ajustes cosméticos?
Hoje o mundo anda mesmo muito depressa.
O ensino superior não pode continuar a agir como se tivesse todo o tempo do mundo. Na Egas Moniz, já estamos desde 2023 a reaprender a ensinar. Este é claramente o primeiro passo que já demos e vamos acelerar.