01/02/2026
Vou abrir um espaço para a Iris hoje. A sua primeira publicação. Seu primeiro texto. Estou muito orgulhoso da sua postura.
“Eu sou um cão (ia ficar estranho dizer que sou uma cachorra). Não tenho problemas com ideologia de gênero. Sei muito bem quem sou e isso não faz de mim menos ou mais.
Não sei escrever como os humanos, mas sei sentir e sentir dói.
Meu coração latiu triste quando soube do que fizeram com o Orelha, aqui Santa Catarina, tão próximo de mim. Um de nós, que só queria viver, cheirar o mundo, brincar, confiar. A violência que arrancou a vida dele também arrancou um pedaço da nossa inocência. Porque nós, cães, acreditamos. Acreditamos sempre.
Não entendemos ódio. Não entendemos crueldade. Quando alguém levanta a mão, a gente ainda balança o rabo achando que é carinho. O que fizeram com o Orelha não foi culpa dele. Nunca é culpa nossa.
Mas eu preciso dizer algo, mesmo com o focinho molhado de tristeza: nem todo humano é assim. Há humanos que se ajoelham para nos olhar nos olhos. Que nos resgatam do frio, da fome, do medo e que literalmente nos salvam. Humanos que choram por nós, que gritam por justiça quando não podemos falar. Humanos que amam do jeito mais puro que existe.
Para esses humanos, meu rabo ainda balança.
Para esses humanos, minha confiança ainda existe.
Que a memória do Orelha não seja só dor, mas também um chamado. Um pedido para que mais humanos escolham ser gentis. Para que nenhum de nós precise morrer para ensinar o que é compaixão.
Eu sou um cão. Continuo acreditando.
Porque, apesar de tudo, ainda há mãos que fazem carinho e não machucam”
Ass. Iris.