28/09/2025
Num dia comum da semana, ao sair do trabalho e por conta da habitual enchente nas paragens de táxi coletivo, decidi chamar um táxi por aplicativo para gerir melhor o meu tempo.
No caminho para casa, reparei numa cena cada vez mais frequente nas ruas de luanda: grupos de jovens que se reúnem para beber duas duas, uns optam pela cuca, nocal, EKA, e outros preferem mesmo os famosos pacotinhos e outras bebidas espirituosas.
Confesso que, noutras ocasiões, olhava para esse cenário com certa normalidade.
Pensava comigo mesmo: “são apenas jovens descontraindo para esquecer os problemas da vida”.
Mas, neste dia, algo mudou. Observei o mesmo cenário, mas numa perspetiva diferente.
O que vi não era lazer, era um sintoma. Um sintoma de uma sociedade adoecida.
O consumo excessivo de álcool é literalmente um inimigo silencioso da saúde mental. À primeira vista, o álcool pode até parecer um alívio momentâneo, um escape das malambas da vida. Mas a longo prazo, ele abre portas para a ansiedade, depressão, instabilidade emocional, perda de foco, problemas de memória e, em muitos casos, leva à dependência.
Estamos a falar de jovens a força motriz desta nação, o verdadeiro motor que deveria estar a construir o futuro do país. Mas em vez disso, estão a ser engolidos por um vício que destrói o corpo, a mente e as perspectivas de futura.
A grande pergunta é: estamos realmente atentos a isso?
Ou estamos apenas a assistir em silêncio, como se fosse “mais uma cena normal da juventude”?
Pior ainda, será que há quem se beneficie do estado em que os jovens se encontram? Porque, sinceramente, custa acreditar que um Governo que realmente se preocupa com o seu povo feche os olhos para esse problema.
Por que razão os psicólogos ainda não têm espaço digno e efetivo no sistema público de saúde?
Por que a saúde mental continua a ser tratada como tabu ou luxo, quando já se tornou uma urgência nacional?