12/03/2026
Eu odeio ficar doente. Não que eu ache que alguém goste, mas pra mim é uma tortura. Sinto como se tivesse perdendo tempo, como se as coisas estivessem acontecendo sem mim porque uma gripe ou uma infecção nos rins me derrubou.
Mas passar por esses dias ruins grávida tem mudado tudo. Não que eu não me sinta mal. Continuo sentindo que não to dando conta e que não deveria estar descansando no meio de uma quinta a tarde. Mas tenho olhado pra mim, e pro mundo, com olhos mais empáticos. Tenho pensado que não é justo me exigir tanto porque agora divido meu corpo com meu filho, e ele também depende de que essa máquina funcione bem.
Também penso muito em como vai ser te-lo do lado de cá e isso me dá perspectiva do que realmente deveria ser importante. Me faz ver que toda a correria pra resolver as demandas da vida precisa ter um objetivo, e por que não um limite?
Em um mundo que não para e que todos os dias nos empurra a frustração de estar sempre perdendo tempo, eu me pergunto: queremos mais tempo para quê? Para correr mais ou para usar com o que faz sentido pra gente?