02/03/2026
V.Exa é reconhecidamente um europeísta convicto. Foi um proeminente eurodeputado e manteve até há pouco ligações à “Nossa Europa”, uma plataforma de intervenção cívica com foco nas questões europeias.
Apesar da construção europeia ter estado (e mal) afastada do debate eleitoral recente, a verdade é que a votação recebida lhe traz uma legitimidade acrescida para (co)definir a agenda política, dentro dos poderes constitucionais reconhecidos.
Destarte, num mundo marcado por novas guerras – inclusive às portas da Europa – por um novo desenho geo-estratégico, tensões agravadas entre potências mundiais, e pela instrumentalização da energia e do comércio como armas geopolíticas, a União Europeia enfrenta um teste histórico. A resposta não pode ser menos Europa. Tem de ser mais e melhor Europa e isso implica aprofundar o federalismo.
A invasão da Ucrânia pela Rússia mostra-nos os limites de uma arquitetura institucional assente, demasiadas vezes, na unanimidade. Quando cada Estado-Membro dispõe de poder de veto em matérias cruciais, a Europa torna-se lenta, previsível e vulnerável. Num contexto geopolítico volátil, a agilidade é poder.
Aprofundar o federalismo não significa apagar identidades nacionais. Significa partilhar soberania onde ela é mais eficaz quando exercida em conjunto: defesa, segurança energética, política industrial, comércio externo e proteção de fronteiras.
Nenhum Estado europeu, isoladamente, consegue negociar em pé de igualdade com as grandes potências ou garantir autonomia estratégica em setores críticos como semicondutores, energia ou tecnologias verdes. Se dúvidas houver pensemos nas respostas à pandémica “Covid 19”.
V.Exa poderia lançar a discussão – interna e externamente – sobre passos para uma nova Europa. Maior e melhor. A revisão dos Tratados não pode estar fora da mesa. Aprofundar o federalismo é, hoje, menos uma ambição ideológica do que uma necessidade pragmática. S.Exa pode ter uma palavra a dizer.