Ricardo Castanheira

Ricardo Castanheira Este é um espaço de opinião e liberdade individuais que apenas a mim obriga e responsabiliza.

V.Exa é reconhecidamente um europeísta convicto. Foi um proeminente eurodeputado e manteve até há pouco ligações à “Noss...
02/03/2026

V.Exa é reconhecidamente um europeísta convicto. Foi um proeminente eurodeputado e manteve até há pouco ligações à “Nossa Europa”, uma plataforma de intervenção cívica com foco nas questões europeias.

Apesar da construção europeia ter estado (e mal) afastada do debate eleitoral recente, a verdade é que a votação recebida lhe traz uma legitimidade acrescida para (co)definir a agenda política, dentro dos poderes constitucionais reconhecidos.

Destarte, num mundo marcado por novas guerras – inclusive às portas da Europa – por um novo desenho geo-estratégico, tensões agravadas entre potências mundiais, e pela instrumentalização da energia e do comércio como armas geopolíticas, a União Europeia enfrenta um teste histórico. A resposta não pode ser menos Europa. Tem de ser mais e melhor Europa e isso implica aprofundar o federalismo.

A invasão da Ucrânia pela Rússia mostra-nos os limites de uma arquitetura institucional assente, demasiadas vezes, na unanimidade. Quando cada Estado-Membro dispõe de poder de veto em matérias cruciais, a Europa torna-se lenta, previsível e vulnerável. Num contexto geopolítico volátil, a agilidade é poder.

Aprofundar o federalismo não significa apagar identidades nacionais. Significa partilhar soberania onde ela é mais eficaz quando exercida em conjunto: defesa, segurança energética, política industrial, comércio externo e proteção de fronteiras.

Nenhum Estado europeu, isoladamente, consegue negociar em pé de igualdade com as grandes potências ou garantir autonomia estratégica em setores críticos como semicondutores, energia ou tecnologias verdes. Se dúvidas houver pensemos nas respostas à pandémica “Covid 19”.

V.Exa poderia lançar a discussão – interna e externamente – sobre passos para uma nova Europa. Maior e melhor. A revisão dos Tratados não pode estar fora da mesa. Aprofundar o federalismo é, hoje, menos uma ambição ideológica do que uma necessidade pragmática. S.Exa pode ter uma palavra a dizer.

Senhora Presidente Ana Abrunhosa,A forma diligente, responsável e humana como com a sua equipa tem encarado as recentes ...
16/02/2026

Senhora Presidente Ana Abrunhosa,

A forma diligente, responsável e humana como com a sua equipa tem encarado as recentes cheias do Rio Mondego, agravadas pelos efeitos da tempestade Kristin, tem sido digna de apreço e reconhecimento geral. A justo título!

As marcas profundas que estas semanas deixarão na cidade e região – de perdas humanas a prejuízos colossais em habitações, comércios e equipamentos - são sinais claros da dimensão desta adversidade.

Ainda é o tempo de acudir a quem mais precisa, cuidando de quem sofreu danos de relevo. Contudo, os momentos de crise também devem ser encarados como oportunidades de transformação. Coimbra não deve limitar-se a remendar o que foi destruído. A cidade tem diante de si uma ocasião rara para repensar o seu modelo urbano, sobretudo a respetiva relação com o Rio Mondego e para projetar uma Baixa moderna, resiliente e atrativa.

É a hora de olhar para as margens do rio como um verdadeiro eixo de vida urbana: com zonas pedonais contínuas, ciclovias, espaços verdes adaptados a cheias, áreas de lazer e novas infraestruturas desportivas acessíveis a todos. Uma frente ribeirinha qualificada pode tornar-se o coração pulsante de uma cidade mais sustentável, capaz de atrair residentes, estudantes, turismo e investimento.

A reconstrução da Baixa deve também integrar soluções de adaptação climática: drenagens inteligentes, materiais mais resistentes, requalificação de praças e ruas, e incentivos à habitação permanente. Não basta restaurar fachadas; é preciso devolver vitalidade, segurança e futuro ao centro histórico.

Senhora Presidente, tem diante de si a maior das tarefas: confirmar que Coimbra além de história, tem também talento e muita ambição. O desafio que agora enfrenta pode transformar-se no ponto de partida para uma reforma urbana corajosa e estruturante. Nunca vista em décadas. Que esta reconstrução seja, acima de tudo, um projeto de modernização da cidade – devidamente aberto, transparente e participado – assim como de reconciliação profunda com o seu rio. Nunca esquecendo que é um dos nossos “ex libris”. Apesar destes dias…

A proteção civil nunca aparece entre as prioridades políticas de governos, nem tão pouco (verdade seja dita) no horizont...
02/02/2026

A proteção civil nunca aparece entre as prioridades políticas de governos, nem tão pouco (verdade seja dita) no horizonte de preocupações de cidadãos e eleitores. A saúde, o emprego, a habitação, a segurança social aparecem no topo das preferências. A proteção civil, em Portugal, vem no fundo da tabela.

Talvez não devesse ser assim. Os graves incêndios dos últimos anos e a calamidade (de nome Kristin) destes dias obrigariam a outro tipo de abordagem política.

Afinal de contas, num mundo cada vez mais exposto a fenómenos extremos (das alterações climáticas aos riscos tecnológicos e geopolíticos) a proteção civil deixou de ser uma resposta reativa para se afirmar como um pilar estratégico da segurança coletiva. As melhores práticas internacionais mostram que prevenir é não só mais eficaz como incomparavelmente menos dispendioso do que remediar.

Países como o Japão, a Nova Zelândia ou a Noruega demonstram que a redução do risco de catástrofes começa muito antes da emergência. Planeamento territorial rigoroso, códigos de construção exigentes, sistemas de alerta precoce e investimento contínuo em ciência e dados são fatores decisivos. No Japão, por exemplo, a educação para o risco faz parte do currículo escolar, criando cidadãos preparados e resilientes desde cedo. E nós, em Portugal?..

Outra lição fundamental é a coordenação institucional. Modelos de governação claros, com cadeias de comando bem definidas e exercícios regulares entre forças de segurança, proteção civil, saúde e autarquias, reduzem drasticamente o tempo de resposta e salvam vidas. Cada vez que há problemas começa o “jogo do empurra” e passam-se culpas! A tecnologia é hoje uma aliada central: sensores, satélites, inteligência artificial e comunicação em tempo real permitem antecipar cenários e agir com precisão. E em Portugal? Já não há pachorra para ouvir falar de uma p***a chamada SIRESP…

Mas nenhuma estratégia é eficaz sem o envolvimento da comunidade. As melhores práticas colocam as pessoas no centro: informação transparente, formação, voluntariado e confiança nas instituições. A segurança de pessoas e bens constrói-se com proximidade, não apenas com meios. E, sobretudo, antes da “casa arrombada”!

Num contexto de risco crescente, a escolha é clara: investir na prevenção, na resiliência e na cultura de segurança não é um luxo, é uma responsabilidade pública essencial e um imperativo ético das democracias modernas. Vamos ver o que o governo, autoridades públicas e autarquias aprenderão com o sobressalto calamitoso destes dias!..


Diário As Beiras

Há anos que não pedem balanços, pedem silêncio! 2025, quase a despedir-se, é um deles. Para muitos, incluindo este que v...
22/12/2025

Há anos que não pedem balanços, pedem silêncio! 2025, quase a despedir-se, é um deles. Para muitos, incluindo este que vos escreve, foi marcado por perdas pessoais irreparáveis . Uma Mãe é insubstituível e inesquecível. O vazio das referências afetivas é doloroso e a morte a pior de todas as ausências. Resta-nos a esperança vã de que o tempo resolve ou mitiga.

Como se isso não bastasse, o mundo pareceu conspirar para reforçar a sensação de uma exaustão coletiva. A guerra na Ucrânia prolongou-se sem solução à vista, normalizando a destruição no coração da Europa. No Médio-Oriente, a violência extrema continua a ceifar milhares de vidas inocentes, deixando um rasto de dor que dificilmente caberá em qualquer acordo político. No Sudão, um conflito quase esquecido continuou a produzir fome e deslocados. Parece que em breve teremos guerra até no Mar do Caribe…Ao mesmo tempo, 2025 foi marcado por eventos climáticos extremos (ondas de calor recorde, cheias devastadoras e incêndios) que “os donos disto tudo” continuam a tratar como exceções, mas que apenas confirmam um modelo de desenvolvimento esgotado.

A instabilidade política um pouco por todo o lado, a erosão da confiança nas instituições e a radicalização do discurso público completaram um cenário que nos faz regressar a um passado histórico de muito más memórias.

Ainda assim, mesmo nos anos mais duros, aprende-se. Aprende-se sobre a fragilidade, sobre o valor do tempo, sobre a urgência de cuidar dos outros e de nós próprios. E sobre o valor das pequenas coisas.

Terminar 2025 é, por isso, mais do que virar uma página: é um ato de sobrevivência emocional. Que 2026 chegue com menos ruído e mais propósito, com espaço para reconstruir, reconciliar e realizar. Que traga paz onde hoje há guerra, lucidez onde reina o ódio, e, sobretudo, a possibilidade de voltarmos a acreditar que o futuro pode ser melhor do que o passado recente. Não por ingenuidade, mas por necessidade!

Infelizmente é cada vez mais frequente falar-se de futebol por causa do que se passa fora das “quatro linhas”. E não dev...
08/12/2025

Infelizmente é cada vez mais frequente falar-se de futebol por causa do que se passa fora das “quatro linhas”. E não deveria ser assim. Apesar do Presidente da FIFA já nos ter habituado a polémicas, a semana passada creio ter passado todas as marcas aceitáveis. A criação de um alegado “Prémio da Paz” e a sua entrega inaugural a Donald Trump, pelas mãos de Gianni Infantino, é um episódio que envergonha o desporto mundial e que fere os próprios princípios que a organização diz defender. Não há qualquer justificação plausível, ética ou simbólica para esta distinção. Há apenas perplexidade, indignação e a sensação de que a FIFA decidiu esticar, até ao limite, a elasticidade da pouca credibilidade que lhe resta.

A paz pressupõe cooperação, diálogo, promoção de entendimento entre povos, culturas e nações. Pressupõe também exemplo, responsabilidade e um percurso público coerente com esses valores. Basta um olhar rápido para perceber que nada disso está presente nesta escolha. A figura de Donald Trump, carregada de polémicas, divisões internas e tensões internacionais, está a anos-luz de representar qualquer ideal de pacificação. A decisão da FIFA, ao elevá-lo a símbolo de paz, é um insulto à inteligência coletiva e um perigo para a própria ideia de “fair play”, coisa que Trump já demonstrou não ter!

Gianni Infantino, que já habituou o mundo a decisões erráticas e a uma gestão opaca, vai agora mais longe: tenta apropriar-se da retórica moralizadora para premiar o que é, pura e simplesmente, impossível de defender. Um “Prémio da Paz” que nasce sem critério transparente, sem fundamento reconhecível e sem coerência com os valores universais do futebol, não é um prémio: é propaganda. E propaganda barata.

Aliás, se houvesse coerência e não subserviência da FIFA, o prémio deveria ter sido entregue também à Presidente do México e ao Primeiro-Ministro do Canadá, os outros co-organizadores do Mundial em 2026!

Este episódio deveria servir de alerta e de vergonha. A FIFA não está acima da ética, nem do escrutínio público, nem dos valores que apregoa sempre que lhe convém. Apenas expõe, de forma dolorosamente clara, o quão distante a FIFA está do espírito do desporto que afirma representar.

Há muito que as redes sociais deixaram de ser apenas espaços de convívio ou partilha de ideias para se tornarem verdadei...
27/10/2025

Há muito que as redes sociais deixaram de ser apenas espaços de convívio ou partilha de ideias para se tornarem verdadeiras arenas de combate político. O que deveria ser uma ágora moderna — um espaço para o confronto saudável de opiniões — transformou-se num campo minado de insultos, radicalismos e intolerância. As eleições autárquicas e o projeto legislativo em torno das “burcas” foram disso um exemplo claro.

Mas o problema não está nas redes em si, mas na forma como elas moldam o comportamento humano. Os algoritmos privilegiam o choque, o escândalo e o exagero. A lógica da atenção recompensa quem grita mais alto e quem ofende mais, não quem argumenta melhor. E assim, aos poucos, a razão vai perdendo espaço para a emoção; o diálogo cede lugar ao confronto.

Hoje, a moderação é vista como fraqueza. O equilíbrio, como covardia. A capacidade de ouvir o outro, como traição à própria “tribo” ideológica. Vivemos numa era em que a complexidade é sacrificada em troca de “slogans” e frases de efeito. E o resultado é um empobrecimento profundo do debate público, em que os extremos se alimentam mutuamente enquanto o centro se esvazia.

Esta degradação do discurso tem consequências reais. A polarização digital contamina a política real, endurece posições e mina a confiança nas instituições democráticas. Quando tudo é reduzido a “nós contra eles”, perde-se o espaço da construção comum — e é nesse vazio que o populismo prospera.

Mas há uma responsabilidade individual e coletiva que não pode ser ignorada. Cada partilha impensada, cada comentário inflamado, cada “like” dado à indignação contribui para este ciclo tóxico. Não se trata de silenciar a crítica, mas de recuperar a noção de que o outro não é um inimigo, mas um interlocutor.

O desafio, portanto, é reencontrar o valor da conversa civilizada. Devolver à política — e às redes sociais — o respeito pela diferença. Tolerar não é concordar: é reconhecer o direito do outro a existir e a pensar de forma distinta.

Enquanto persistirmos neste ruído ensurdecedor de certezas absolutas, continuaremos a destruir o que resta do diálogo público. E sem diálogo, a democracia deixa de respirar. Infelizmente é esse o objetivo de alguns!

AINDA SOBRE BURCAS...- em Portugal o número de mulheres que usam burca é insignificante, portanto isto não deveria seque...
18/10/2025

AINDA SOBRE BURCAS...
- em Portugal o número de mulheres que usam burca é insignificante, portanto isto não deveria sequer merecer nota de rodapé quanto mais uma iniciativa legislativa, demonstrando bem que se trata antes de uma medida populista e demagógica para alimentar a agenda anti-imigração da extrema-direita nacional. Uma vez mais (e sempre), o objetivo é criar uma atmosfera de exclusão e desconfiança;
- a medida não visa proteger as mulheres, ao invés, ao proibir o uso e ao sancionar empurra-as para a invisibilidade social. As visadas deixarão de frequentar espaços públicos — escolas, universidades, serviços de saúde — por medo de sanções. Discrimina as mulheres e marginaliza-as (ainda mais!);
- a direita que quer sempre menos Estado, neste caso justifica a proibição em nome da “proteção das mulheres”, partindo de uma visão paternalista. Nem todas as que usam burca são coagidas, muitas fazem-no por convicção pessoal, religiosa ou cultural. Proibi-las de usar é, paradoxalmente, substituir uma forma de opressão por outra: o Estado decide o que elas podem ou não vestir.
- o Estado português que eu saiba ainda é laico! E a laicidade significa neutralidade do Estado em relação à religião, não hostilidade contra manifestações religiosas. Esta é uma medida claramente inconstitucional;
- enfim, proteger e empoderar mulheres (seja de que religião, credo ou raça forem) faz-se com mais educação, mais oportunidades, direitos iguais e acesso à justiça e ao trabalho, não com leis sobre os respetivos corpos ou vestuários!

Consta dos textos bíblicos que “a arrogância precede a ruína, e o espírito altivo, a queda.” Vem isto a propósito das el...
13/10/2025

Consta dos textos bíblicos que “a arrogância precede a ruína, e o espírito altivo, a queda.” Vem isto a propósito das eleições de ontem!..

Em política, o poder é sempre um teste ao carácter. E é precisamente nos municípios, onde a proximidade entre eleitos e cidadãos deveria ser mais evidente, que a soberba e a arrogância se tornam particularmente nocivas. A gestão dos municípios exige liderança, visão e empatia — mas, demasiadas vezes, transforma-se num palco onde o exercício do poder serve mais o ego do que o interesse público.

A soberba política manifesta-se quando os autarcas deixam de ouvir, quando passam a acreditar que o sucesso lhes pertence em exclusivo, quando confundem o mandato democrático com um cheque em branco. A partir desse momento, as decisões começam a ser tomadas em circuito fechado, as críticas passam a ser vistas como afrontas pessoais e a transparência transforma-se num incómodo.

A arrogância na governação local não se traduz apenas em más atitudes — tem custos reais. Afasta talento, desmotiva equipas, bloqueia a inovação e corrói a confiança pública. As cidades deixam de ser organismos vivos e participados para se tornarem feudos de poder, onde o cidadão é tolerado, mas raramente escutado. E quando a vaidade se sobrepõe ao diálogo, o resultado é previsível: estagnação, conflito e desilusão.

A humildade, pelo contrário, é um ato de inteligência política. O autarca que ouve, que reconhece erros, que valoriza o contributo dos outros, é aquele que deixa um legado duradouro. A liderança moderna — sobretudo no contexto urbano — exige empatia e capacidade de escuta. Cidades resilientes e criativas não se constroem com imposições, mas com colaboração.

Num tempo em que os desafios locais são cada vez mais complexos — habitação, mobilidade, sustentabilidade, coesão social — a soberba é um luxo que nenhum município pode pagar. Precisamos de líderes com autoridade, sim, mas não autoritários; com convicções firmes, mas sensíveis à realidade que os rodeia. O poder que não se abre à crítica acaba, inevitavelmente, por se fechar sobre si próprio.

O verdadeiro prestígio político não nasce da imposição, mas do respeito conquistado. E esse respeito só é possível quando o exercício do poder é guiado não pela vaidade, mas pelo serviço público. A humildade, longe de ser sinal de fraqueza, é a mais sólida das forças!

Tive o privilégio de assistir no Centro Cultural de Belém a “Adilson uma Ópera de Dino D’Santiago”. Sim, o privilégio, p...
15/09/2025

Tive o privilégio de assistir no Centro Cultural de Belém a “Adilson uma Ópera de Dino D’Santiago”. Sim, o privilégio, porque as artes ampliam a empatia, o senso crítico, o entendimento do mundo e a tolerância.

Esta obra sublime do genial Dino é mais do que um acontecimento cultural de relevo. É, sobretudo, um gesto político, social e humano que desafia Portugal a olhar para si mesmo através do espelho da experiência migrante.

O espetáculo parte da biografia – infelizmente bem real de Adilson! - e da memória coletiva de comunidades africanas em Portugal para construir uma narrativa universal sobre pertença, exclusão e esperança. Ao transformar em ópera — ainda que moderna e “sui generis” - a história de um jovem negro nascido de pais imigrantes, Dino D’Santiago subverte convenções e reposiciona a cultura afro-lusófona no centro do palco nacional. Uma vez mais!

A obra chega num momento crucial. Portugal vive uma transformação demográfica intensa, com a imigração a desempenhar um papel determinante na economia, na vitalidade social e na diversidade cultural. Contudo, o discurso público continua marcado por estigmas, preconceitos e pela dificuldade em reconhecer os imigrantes não apenas como força de trabalho, mas como cidadãos de pleno direito, com voz e identidade próprias.

Adilson faz aquilo que o debate político tantas vezes evita: olhar para dentro e perceber entropias, erros e desumanidade. Adilson convoca-nos para celebrar a integração dos migrantes como elemento de reforço e valorização da identidade portuguesa.

Adilson é uma convocatória ao diálogo entre gerações e comunidades, uma oportunidade para que Portugal repense a sua narrativa histórica — da colonização à integração — e encontre, na arte, a coragem de assumir a imigração não como ameaça, mas como riqueza.

No CCB, o público não assiste apenas a uma ópera. É chamado a refletir sobre o país que somos e o país que queremos ser. Coisas realmente importantes, portanto! Obrigado, Dino!

O “Relatório Mundial da Felicidade” e o “Índice de Qualidade de Vida” - dois dos “benchmarks” mais respeitados globalmen...
01/09/2025

O “Relatório Mundial da Felicidade” e o “Índice de Qualidade de Vida” - dois dos “benchmarks” mais respeitados globalmente, produzidos pela Mercer — oferecem lições poderosas para os decisores políticos. Caso as desejem aprender… E ambos apontam para uma mesma conclusão: as pessoas prosperam quando as cidades priorizam o bem-estar, a inclusão e a habitabilidade, juntamente com o crescimento económico.

Na corrida para se tornarem mais competitivas, inovadoras e atraentes, as cidades costumam-se concentrar sobretudo em projetos de infraestrutura, transformação digital ou crescimento económico. No entanto, as estratégias urbanas mais visionárias lembram-nos uma verdade fundamental: uma cidade só é bem-sucedida na medida em que consegue fazer as pessoas felizes e melhorar a sua qualidade de vida. O segredo está assim na felicidade!

A pouco mais de um mês das eleições autárquicas, em Portugal, pouco o nada tenho escutado sobre como construir uma cidade feliz.

Mas regressemos àqueles índices. O “Relatório Mundial da Felicidade”, com base em pesquisas sobre satisfação com a vida, destaca seis pilares críticos: rendimento, expectativa de vida saudável, apoios sociais, liberdade, confiança no governo e solidariedade. Por sua vez, o “Índice de Qualidade de Vida” compara cidades em termos de segurança, educação, saúde, habitação, ambiente e lazer.

Quando analisamos as cidades que consistentemente estão nos primeiros lugares (Helsínquia, Copenhaga, Zurique e Viena), surge um padrão claro: estas não são as cidades mais ricas per capita, mas sim aquelas que investem sabiamente em políticas centradas nas pessoas.

O acesso a cuidados de saúde de alta qualidade, espaços verdes e opções de mobilidade ativa (ciclismo, caminhada, transportes públicos) aumenta diretamente a felicidade e a qualidade de vida.

O apoio social é um dos indicadores mais fortes de felicidade. Parques, centros comunitários, bibliotecas e praças promovem a interação, o sentimento de pertença e a confiança. A insegurança habitacional prejudica o bem-estar. As cidades que promovem o acesso à habitação (em Viena há 60% dos residentes em apartamentos subsidiados ou com renda controlada) reduzem as desigualdades.

Os índices mostram ainda que uma câmara municipal que ouve, comunica abertamente e envolve os munícipes nas tomadas de decisões cria a sensação de justiça e liberdade de que as pessoas precisam para prosperar.

O acesso à natureza afeta diretamente a saúde e a satisfação com a vida. Mais parques verdes é sinónimo de mais atividade física e de mais sustentabilidade urbana. As cidades são redes de relações humanas, por isso importa incentivar o envolvimento cívico, o voluntariado, mais vida cultural como condições de pertença e inclusão no tecido social.

A felicidade e a qualidade de vida não são luxos são imperativos estratégicos. As cidades que priorizam o bem-estar atraem talentos, estimulam a inovação e retêm cidadãos que se sentem orgulhosos de a elas pertencerem.

Já estamos em período pré-eleitoral para as autárquicas e os candidatos apressam-se a querer apresentar muitas ideias. C...
07/07/2025

Já estamos em período pré-eleitoral para as autárquicas e os candidatos apressam-se a querer apresentar muitas ideias. Como raramente os programas são escrutinados e avaliados ao longo do tempo (menos ainda a final), talvez valesse a pena seguir a velha máxima do “menos é mais”! Ou seja, bastaria um ou dois projetos verdadeiramente disruptivos e catalisadores de mudança, com elevado impacto económico e social.

Coimbra, apesar da paulatina evolução ao longo dos últimos (muitos) anos, continua a viver divorciada do rio Mondego.

Elemento inquestionável da história, da cultura e da vivência desta cidade. É verdade que houve alguma reabilitação de margens, o Parque Verde e a Praça da Canção, não esquecendo a praia fluvial do Rebolim, mas ainda assim o potencial é tamanho, que nos leva a crer que ainda haverá tanto por fazer.

Em Coimbra, como em muitas outras cidades banhadas por rio com dimensão significativa, este elemento natural desempenha uma multifuncionalidade, ou seja, combina usos ambientais, sociais, recreativos e culturais. Não esquecendo o valor económico de cada um deles.

O Mondego, em Coimbra, tem as condições para ser o principal elemento urbano aglutinador da comunidade, promotor de participação cívica e de fomento desportivo. Imaginem - como em Roterdão ou Munique - um canal com onda surfável; campos públicos de ténis e de padel ao longo das margens.

Por falar em margens, as do Mondego (e não apenas a Praça da Canção ou o Parque Verde) deveriam ser anfiteatros culturais por excelência. Galerias de arte abertas à criatividade de forma contínua no tempo. E não apenas palcos episódicos de eventos… como a Queima das Fitas ou a Feira Popular.

A relação entre o Mondego e o Choupal não existe. Um anacronismo injustificável. Aproximar o pulmão da cidade e o Rio é um imperativo para fazer de Coimbra um modelo de qualidade de vida e de sustentabilidade. Elementos que, hoje em dia, ajudam a fixar pessoas e a atrair riqueza.

A roda está inventada. Observem-se os bons exemplos de Paris, onde esta semana se voltou a mergulhar no Rio Sena; num projeto de décadas que passou por despoluir e criar uma piscina natural, além de festivais culturais nas margens do Sena e de largos quilómetros de ciclovia nas margens. Do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, o maior espaço cultural urbano e museológico da cidade. Ou, ainda, o Plano do Rio Isar, em Munique, para a criação de zonas recreativas.

Uma nova vida ao Mondego é possível! Haja vontade!

Em tempos de ameaça nuclear, crises climáticas e desafios globais, insistir em soluções militares é não apenas imoral, m...
23/06/2025

Em tempos de ameaça nuclear, crises climáticas e desafios globais, insistir em soluções militares é não apenas imoral, mas suicida. A irracionalidade das guerras e a cegueira do poder são sintomas de um sistema que precisa ser urgentemente repensado. A paz não é uma utopia: é uma urgência!

Ao longo da História, as guerras têm sido apresentadas como instrumentos de conquista, defesa ou redenção. No entanto, uma análise mais profunda revela a irracionalidade que as sustenta e a cegueira de poder que as alimenta. Em pleno século XXI, num mundo que se diz globalizado, civilizado e interconectado, a persistência dos conflitos armados levanta uma questão essencial: por que razão continuamos a recorrer à violência organizada como forma de resolver disputas?

A irracionalidade das guerras está patente, antes de mais, no seu custo humano. Milhões de vidas são ceifadas, não apenas entre soldados, mas sobretudo entre civis inocentes: crianças, mulheres, idosos. Populações inteiras são deslocadas, culturas são destruídas, traumas coletivos são perpetuados por gerações. Não há argumento racional que justifique tais perdas. Nenhuma fronteira, nenhuma ideologia, nenhum recurso natural vale o sofrimento provocado por uma guerra. Mesmo os supostos “vencedores” terminam feridos – no corpo, na alma ou na economia.

Para além da destruição física, há a ruína moral e ética que as guerras trazem. Quando a violência se institucionaliza, quando matar passa a ser legitimado por bandeiras e discursos patrióticos, os alicerces da humanidade vacilam. A guerra desumaniza, transforma o “outro” num inimigo, apaga a empatia. E tudo isto muitas vezes é conduzido por líderes distantes dos campos de batalha, confortavelmente instalados nos corredores do poder, cegos pela ambição, pelo orgulho ou pela sede de domínio.

É precisamente essa cegueira do poder que perpetua os conflitos. Governantes embriagados de autoridade, incapazes de escutar ou reconhecer erros, preferem arrastar nações inteiras para confrontos evitáveis a ceder ou dialogar. A história recente está cheia de exemplos: guerras iniciadas com pretextos falsos, intervenções militares disfarçadas de “missões de paz”, escaladas bélicas motivadas por cálculos eleitorais ou interesses económicos ocultos. A política, quando contaminada pelo ego e pela ganância, torna-se um terreno fértil para decisões irracionais e irresponsáveis. É este o Mundo Cão em que vivemos!

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